sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Ford eleva meta de durabilidade dos seus motores para 15 anos e 362 mil km

Ford eleva meta de durabilidade dos seus motores para 15 anos e 362 mil km

A Ford elevou a meta de durabilidade de seus motores e câmbios e passou a usar inteligência artificial dentro da fábrica para tentar cumpri-la. O alvo saiu de 10 anos e 241 mil km para 15 anos e 362 mil km de funcionamento sem falhas, em mudança que a montadora atribui ao cruzamento entre reclamações de clientes e resultados dos próprios testes internos.

Quem estabeleceu o número é Charles Poon, vice-presidente de Engenharia de Hardware Veicular da Ford. Para ele, é o conjunto mecânico que define a percepção de qualidade, porque é o item responsável pela função primária do carro. “Qualidade não é marketing nem moda passageira. Qualidade é fazer a coisa certa mesmo quando ninguém está olhando”, afirmou.

Para chegar lá, a engenharia da marca maltrata os próprios motores. As unidades são retiradas diretamente da linha de montagem e submetidas a ciclos ininterruptos de partida e parada e a arrancadas com o acelerador a fundo.

O teste da impressão digital

A base do processo são as desmontagens diárias de motores na fábrica de Essex e um procedimento que a Ford chama de teste de impressão digital. Os engenheiros não se limitam a inspecionar a peça: analisam o óleo em busca de traços microscópicos de material. Mesmo que o motor funcione perfeitamente no dinamômetro, os marcadores químicos revelam se uma válvula ou engrenagem específica está se desgastando mais rápido do que o previsto.

É aí que entra a inteligência artificial. Os testes físicos geram centenas de curvas de resultado por dia, com centenas de milhares de pontos de dados, volume em que um desvio microscópico passa facilmente pelo olho humano. O software define o que é normal e aponta a menor anomalia.

A frequência importa tanto quanto a precisão, segundo Poon: quem testa um motor a cada três meses deixa passar muitas unidades, enquanto amostragens mais próximas estabilizam a qualidade do que sai da linha. Quando algo é detectado, o lote fica retido e o componente é redesenhado antes de chegar ao mercado. A conta que a Ford quer evitar é a do acionamento de garantia três ou dez anos depois.

A lição que veio antes

A aposta chega depois de um tropeço. Em junho, ao comentar a queda de qualidade da marca no mercado norte-americano, Poon disse à imprensa americana que a Ford errou ao supor que bastava introduzir inteligência artificial e ajustar os requisitos de projeto para obter um produto melhor. A empresa recontratou engenheiros veteranos, que hoje orientam os mais jovens na leitura dos dados, e mantém mais de 100 mil testes automatizados por IA.

O caminho escolhido também difere do de outras montadoras. A Nissan tem usado algoritmos para encurtar o tempo de desenvolvimento de novos modelos, como o sedã Skyline, enquanto a Ford direcionou a tecnologia para a vida útil do conjunto mecânico.

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