sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Renault Boreal Techno e Jetour T2 XWD 4×4: avaliação de Fernando Calmon

O colunista Fernando Calmon avaliou dois SUVs: o Boreal Techno, versão intermediária do SUV médio da Renault, e o Jetour T2 XWD 4×4, que amplia a oferta da marca chinesa no segmento de utilitários 4x4. O Boreal chama a atenção pelo equipamento, pelo espaço interno e pelo comportamento no dia a dia. O Jetour aposta em um conjunto híbrido plugável de alto desempenho e em capacidade fora de estrada.

Renault Boreal Techno: bem equipado para uma versão intermediária

Mesmo sendo uma versão intermediária, o Boreal Techno vem bem equipado. Alguns itens ficam reservados ao topo de linha Iconic:

  • teto solar elétrico (opcional na Techno);
  • câmera 360º;
  • rodas de 19 pol. (a Techno usa rodas de 18 pol.);
  • bancos com memória e massagem;
  • sistema de som Harman Kardon;
  • tampa elétrica do porta-malas.

Mesmo assim, a cabine tem materiais de acabamento muito bons. São duas telas de 10 pol., com reprodução do mapa de navegação (Waze e Google Maps) no centro do quadro de instrumentos. Há ainda carregador de celular por indução, console refrigerado e sensores de estacionamento bastante úteis.

O pacote de assistência Adas inclui frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego traseiro transversal, aviso de saída dos ocupantes e monitor de ponto cego, entre outros itens. O freio eletromecânico de imobilização, com liberação automática nas paradas (auto hold), é indispensável nos congestionamentos, que hoje alcançam até estradas. Também há clipes opcionais atrás do encosto de cabeça do banco dianteiro, com suportes para celular, tablet, copos, cabide, quepe e até lanterna.

Boreal ao volante: números e impressões

O motor é um 4-cilindros turbo 1,3 L flex, com 163 cv no etanol e 156 cv na gasolina e torque de 27,5 kgfm nos dois combustíveis. A tração é dianteira e o câmbio é automatizado de seis marchas. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 10 s com etanol e 10,5 s com gasolina.

No consumo medido pelo Inmetro, em cidade e estrada, o Boreal registra 7,8 e 9,4 km/L com etanol e 11,2 e 13,6 km/L com gasolina. O alcance é de 390 e 470 km com etanol e de 560 e 680 km com gasolina, também em cidade e estrada. O tanque comporta 50 litros.

Em dimensões, são 4.556 mm de comprimento, 2.702 mm de entre-eixos, 1.841 mm de largura (2.082 mm com espelhos) e 1.646 mm de altura. A massa é de 1.438 kg e o porta-malas tem 522 litros.

Ao volante, duas características se destacam: as suspensões muito bem calibradas e as respostas imediatas do acelerador em todas as situações do dia a dia, no trânsito urbano e na estrada. As trocas de marcha são rápidas. Os três passageiros do banco traseiro têm bom espaço para pernas e ombros.

Jetour T2 XWD: híbrido plugável para quem encara terreno difícil

A versão XWD 4×4 é a topo de linha do SUV híbrido plugável chinês e amplia a gama T2. Segundo a avaliação, ela atende a uma fatia de mercado bem definida. Embora 90% das vendas de SUVs de aspecto aventureiro se concentrem em configurações 4×2 para uso urbano e rodoviário, cerca de 10% dos compradores exigem capacidade real para superar terrenos difíceis.

A maior evolução está no conjunto mecânico. Ao motor 1,5 L turbo a gasolina e aos dois motores elétricos dianteiros, o XWD soma um terceiro motor elétrico, no eixo traseiro. O sistema integrado desenvolve 597 cv e 91,7 kgfm de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 5,5 s, apesar da massa de 2.362 kg.

A bateria de 43,24 kW⋅h garante até 106 km no modo 100% elétrico, e o alcance combinado chega a 1.300 km. O carro aceita carregamento rápido em corrente contínua (DC).

Para o fora de estrada, o SUV traz:

  • tração integral inteligente;
  • bloqueio eletrônico do diferencial traseiro;
  • oito modos de condução;
  • Tank Turn, que reduz o diâmetro de giro nas manobras com frenagem automática da roda traseira interna à curva;
  • Crawl Mode, que gerencia aceleração e frenagem em baixa velocidade.

O chassi recebeu proteções reforçadas para a bateria e os órgãos mecânicos, além de maior vão livre ao solo e maior capacidade de vau.

No trajeto rodoviário de São Paulo a Bragança Paulista, o modelo se destacou pela transição imperceptível entre os motores e pelo refinamento de rodagem. As retomadas são vigorosas e a estabilidade é irrepreensível para o porte. No circuito fora de estrada, com lama, erosões e inclinações laterais, a distribuição eletrônica de torque atuou rápido quando duas rodas diagonalmente opostas perderam o contato com o chão.

O que isso significa para o mercado brasileiro

As duas avaliações mostram caminhos diferentes no segmento de SUVs. O Boreal Techno entrega equipamento, espaço e comportamento equilibrado em uma versão intermediária. O Jetour T2 XWD leva a oferta da marca chinesa a quem precisa de capacidade real fora de estrada e aposta na tecnologia híbrida plugável com três motores elétricos. Para o consumidor brasileiro, o resultado é mais variedade entre o SUV familiar bem equipado e o utilitário preparado para terreno difícil.

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