segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Capacete anti-urso da TOM’s promete proteger o rosto, mas seria multado em qualquer blitz no Brasil

A TOM's, marca japonesa conhecida por deixar Toyotas e Lexus mais rápidos, lançou um produto que não tem nada a ver com carros: o Protect Light, um capacete pensado para quem tem medo de urso. Apesar do visual inusitado, o equipamento não seria aceito nas ruas brasileiras e levaria seu usuário a uma autuação em qualquer blitz.

De preparadora de Toyotas e Lexus a capacetes

A TOM's construiu sua fama com suspensões, escapamentos, kits de preparação e décadas de vitórias nas pistas japonesas. A novidade, portanto, surpreende: o Protect Light foi desenvolvido pela Ishino Shokai, subsidiária da TOM's, em parceria com a Tohoku Tachibana.

A escolha da subsidiária não é aleatória. A Ishino fabrica capacetes para motos e bicicletas há mais de quatro décadas.

Como é o Protect Light

Visualmente, o Protect Light lembra um cruzamento entre um capacete de Fórmula 1 dos anos 1960 e o equipamento usado para roçar mato na beira de estradas. Os principais pontos do produto são:

  • casco em branco ou cinza, baseado em um capacete de bicicleta certificado;
  • ampla viseira de policarbonato que desce até quase a altura do queixo;
  • peso de 540 gramas;
  • preço de 14.800 ienes (cerca de US$ 90).

O público-alvo são agricultores, trilheiros e qualquer pessoa que precise circular por áreas de mata no Japão. A fabricante, porém, repete o alerta: o Protect Light não garante proteção contra ursos ou outros animais selvagens. A viseira pode ser danificada ou perfurada por impactos fortes, garras ou dentes. O objetivo é reduzir o risco de lesões no rosto.

Por que o Japão tem essa demanda

Segundo o Ministério do Meio Ambiente do Japão, o país registrou 50.776 avistamentos de ursos-negros-asiáticos no ano fiscal de 2025, mais que o dobro do recorde anterior. Os ataques mataram 13 pessoas e feriram outras 225 no período, o pior saldo já contabilizado.

Por que seria multado no Brasil

Por aqui, urso não é problema, mas capacete é assunto regulamentado. A Resolução 940/2022 do Contran define o que vale nas vias públicas: o equipamento precisa ser motociclístico, estar certificado por organismo acreditado pelo Inmetro e trazer o selo de conformidade ou etiqueta interna. Também é obrigatório ter dispositivos retrorrefletivos nas laterais e na traseira, e a cinta jugular deve ficar presa sob o maxilar.

O condutor precisa usar viseira ou, na falta dela, óculos de proteção em bom estado. Com a moto em movimento, a viseira deve estar abaixada; à noite, precisa ser do padrão cristal. Aplicar película é proibido. As punições variam:

  • circular sem capacete ou com equipamento indevido é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e suspensão do direito de dirigir;
  • capacete fora das especificações é infração grave, com multa de R$ 195,23;
  • rodar sem viseira ou óculos de proteção é infração média, com multa de R$ 130,16 e cinco pontos na carteira.

O que isso significa para o Brasil

Por mais engenhoso que seja, o Protect Light na cabeça não livraria ninguém da autuação em uma blitz brasileira. Ele foi feito para a mata, não para o asfalto. O caso serve como lembrete de que, no Brasil, só vale capacete certificado e dentro das regras do Contran.

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