sábado, 7 de novembro de 2026

Fiat obtém registro do nome Argo Urban para manter o Argo atual à venda após a chegada do Argo X

A Stellantis obteve a concessão de registro do nome Argo Urban no INPI, o que reforça o plano da Fiat de manter o atual Argo em produção mesmo depois da chegada do Argo X. O pedido foi apresentado em 2 de abril de 2025 e recebeu deferimento em setembro de 2026. A ideia é que a marca tenha dois modelos da mesma família disputando faixas de preço diferentes.

O que diz o registro no INPI

O pedido foi feito pela Stellantis Automóveis Brasil, sob o número 938604287. O nome Argo Urban não chega a ser surpresa. O Autos Segredos já havia antecipado, há mais de um ano, que a Fiat pretendia usar o sobrenome para diferenciar o hatch atual de seu sucessor. O avanço do registro reforça essa possibilidade, mas a Fiat ainda não divulgou oficialmente versões e preços do Argo Urban.

Argo Urban como opção mais acessível

A proposta é reposicionar o Argo atual como uma opção mais acessível. O foco seria nas vendas diretas, para locadoras, frotistas e empresas, e também nos consumidores que buscam um carro com boa relação custo-benefício. A estratégia lembra a da Volkswagen com o Polo Track, versão simplificada do hatch alemão que virou uma importante arma comercial da marca. Também há paralelo na Hyundai, com HB20 e i20.

Nesse cenário, o Argo Urban poderá assumir aos poucos o papel hoje desempenhado pelo Fiat Mobi, o carro mais barato da fabricante no Brasil. A eventual substituição do subcompacto ainda não está confirmada. Ter dois Argo permitiria à Fiat ampliar sua presença entre os modelos de entrada sem depender só de um projeto mais antigo, como o Mobi.

Os números sustentam a estratégia. Segundo a fonte, 73% dos emplacamentos do Argo até agosto de 2026 foram feitos por vendas diretas. O hatch foi lançado em 2017, já superou 700 mil unidades produzidas e segue entre os mais vendidos do País, impulsionado principalmente pelas compras de locadoras.

Gama atual e o que deve mudar

A chegada do Argo Urban também deve simplificar a gama atual. Versões mais caras, como a Trekking, tendem a desaparecer para abrir espaço ao Argo X, que terá posicionamento superior. A Trekking usa o motor 1.3 Firefly flex e oferece câmbio manual ou automático CVT.

Hoje o Argo oferece estas motorizações:

  • 1.0 Firefly flex de até 75 cv, com câmbio manual de cinco marchas;
  • 1.3 Firefly de até 107 cv, com câmbio manual ou CVT, dependendo da versão.

Ainda não se sabe qual será a oferta mecânica do Urban. A Fiat poderá manter as duas motorizações ou concentrar a linha apenas no conjunto 1.0 manual, o mais barato.

Um indício da mudança já apareceu no configurador da fabricante. A Fiat passou a oferecer o Argo Drive 1.0 como linha 2027, enquanto as demais configurações continuavam como ano-modelo 2026. A movimentação sugere que a marca já prepara o terreno para o Argo Urban.

Argo X: o novo Argo, mais tecnológico

O Argo X está na reta final de desenvolvimento. Ele é derivado do Fiat Grande Panda vendido na Europa, terá visual de crossover com elementos de SUV e será produzido em Betim (MG). A base é a plataforma Smart Car, usada também por outros compactos da Stellantis, como o Citroën C3 e o Jeep Avenger.

A nova geração deve ter versões com motor 1.0 Firefly aspirado e opções mais caras com o 1.0 turbo flex de até 116 cv, associado ao sistema híbrido leve de 12 volts. Nas configurações superiores, deve trazer equipamentos de segurança mais avançados, como seis airbags e assistências eletrônicas à condução.

A expectativa inicial era de estreia até outubro, como principal lançamento da Fiat em 2026, ano em que a fabricante completou 50 anos de produção no Brasil. O cronograma sofreu um pequeno atraso. A Stellantis já divulgou imagens oficiais e confirmou mais de 1 milhão de quilômetros de testes, mas o lançamento ainda não aconteceu e poderá ficar para o início de 2027.

O que muda para o comprador

A Fiat prepara uma divisão de tarefas. O Argo X deve atrair quem quer mais tecnologia, equipamentos e eletrificação. O Argo Urban deve concentrar a disputa por volume e preço. Para o consumidor brasileiro, isso indica que o Argo atual continuará disponível como opção de entrada, com preço e versões ainda a definir. A combinação pode fortalecer a Fiat na briga com o Volkswagen Polo pela liderança de vendas entre os automóveis no Brasil.

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