O Nissan Sentra SE-R Spec V foi o rival que o Honda Civic Si não teve no Brasil. A Nissan do Brasil preparou o lançamento do esportivo para algum momento entre 2008 e 2009 e chegou a importar duas unidades para testes e divulgação. O projeto foi engavetado, e a especulação mais citada para o cancelamento é o IPI mais alto para motores acima de 2.0 litros. A lembrança voltou à tona porque a Nissan apresentou um Sentra preparado para o SEMA Show 2026.
Consulte o preço atualizado do Nissan Sentra na tabela FIPE e compare com as versões anteriores.
Um Sentra tunado e um mercado sem sedãs esportivos
A Nissan mostrou um Sentra modificado como parte de sua frota de projetos para o SEMA Show 2026. Ele é baseado na nona geração do sedã. O visual lembra os especiais da Nismo, com pintura branca, detalhes em vermelho no body kit e uma asa traseira bem visível. Freios e bancos vêm do Nissan GT-R Nismo, as rodas são de 19 polegadas e há diferencial de deslizamento limitado, além de câmbio manual de seis marchas.
Os mais otimistas esperam que o projeto inspire uma versão esportiva do sedã nos Estados Unidos. No Brasil, a situação é outra. A geração anterior foi descontinuada silenciosamente em agosto, depois de emplacar apenas 341 unidades de janeiro a junho. No mesmo período, o Toyota Corolla vendeu 13.021. A linha atual da marca no país se resume aos SUVs Kait e Kicks e ao Versa. Fala-se em um sedã elétrico de origem chinesa como sucessor, mas não há confirmação oficial.
O Civic Si e o estigma do Sentra
O Honda Civic Si da oitava geração, lançado no Brasil em 2007, é a exceção que ficou na memória. Fabricado em Sumaré (SP), usava o motor K20Z3, um 2.0 com i-VTEC que girava até 8.000 rpm e entregava 192 cv. O câmbio era manual de seis marchas, com diferencial helicoidal de deslizamento limitado, e o carro ia de zero a 100 km/h na casa dos 7,9 segundos.
O Sentra, vendido oficialmente a partir da quinta geração, em 2004, e renovado com a sexta em 2007, tinha proposta racional, boa construção e lista de equipamentos generosa. Nunca ameaçou a liderança de Corolla e Civic. Parte do motivo era o rótulo de "carro de tiozão", que a própria campanha de TV da Nissan brincava com a imagem. As versões brasileiras da quinta geração usavam o motor 1.8 QG18DE, de 115 cv e 15,8 kgfm, quase sempre com automático de quatro marchas.
A origem do SE-R Spec V
Nos EUA, a sigla SE-R já tinha peso. Na geração B13 do Sentra, a versão com o motor SR20DE de 2,0 litros virou ícone e chegou a ser chamada de "BMW 2002 dos anos 90". Após um hiato na B14, a Nissan lançou o Sentra SE-R Spec V no final de 2001, na plataforma B15.
O motor era o QR25DE, um quatro-cilindros de 2.488 cm³. Nas aplicações normais, como Frontier e Altima, rendia cerca de 154 cv. No Spec V, a taxa de compressão subiu de 9,5:1 para 10,5:1, os comandos foram retrabalhados e o coletor de escape foi otimizado. O resultado foi de 177 cv a 6.000 rpm e 24,9 kgfm a 4.000 rpm, com câmbio manual de seis marchas e diferencial autoblocante. A aceleração de zero a 100 km/h levava cerca de 7,1 segundos.
A segunda geração do Spec V, baseada na sexta geração do Sentra (B16), veio no ano seguinte à estreia do sedã, em 2007. Ela chegou a 203 cv a 6.600 rpm e 24,9 mkgf a 5.200 rpm, com limite de giros de 7.000 rpm e zero a 100 km/h em 6,7 segundos. Os discos dianteiros de 320 mm eram maiores até que os do Nissan 350Z da época.
Por que o esportivo não veio
A Nissan do Brasil importou duas unidades do Spec V, uma preta e uma vermelha. Elas apareceram em capas de revistas, programas de TV e testes de pista. O plano era trazer o carro do México, onde o Sentra era fabricado. O acordo comercial entre Brasil e México deveria dispensar o imposto de importação.
Mesmo assim, o projeto foi cancelado. O motivo oficial nunca foi detalhado, e a explicação mais provável é o IPI. Motores de 1.0 a 2.0 litros pagavam alíquota em torno de 13% na época, e os acima de 2.0 litros, como o 2.5 do Spec V, pagavam 25%. O Civic Si, produzido no Brasil e com motor 2.0, ficava na faixa mais baixa, e o Sentra chegaria significativamente mais caro.
O destino das duas unidades foi triste. A vermelha foi vendida pela fabricante e, segundo notícias de clubes de entusiastas, sofreu um acidente na região Sul e foi declarada perda total. A preta passou a ser vista parada em um pátio, coberta por uma lona e com sinais de deterioração.
Dados principais
- Spec V B15 (final de 2001): motor QR25DE, 177 cv a 6.000 rpm, 24,9 kgfm a 4.000 rpm, zero a 100 km/h em cerca de 7,1 s.
- Spec V B16 (2007): 203 cv a 6.600 rpm, 24,9 mkgf a 5.200 rpm, zero a 100 km/h em 6,7 s.
- Civic Si (lançado no Brasil em 2007): 192 cv, zero a 100 km/h na casa dos 7,9 s.
- Lançamento nacional do Spec V: previsto para 2008 a 2009 e cancelado.
- IPI citado: cerca de 13% para motores até 2.0 e 25% acima de 2.0.
O que isso significa para o comprador brasileiro
O Spec V mostra o que o mercado perdeu. Um sedã esportivo de verdade, com mais potência que o rival e câmbio manual de seis marchas, esteve a um passo das concessionárias. Hoje, com a Nissan sem sedãs na linha nacional e o novo Sentra fora do radar, o esportivo segue como curiosidade de importação e de lembrança. Para quem busca um sedã com esse perfil, o Civic Si continua sendo a referência nacional. Seus exemplares em bom estado custam caro no mercado de usados, quando aparecem.
