quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Motor F4.5 que a Cummins lança na Fenatran é até 9% mais econômico

A Cummins prepara para a Fenatran uma nova etapa do seu portfólio para veículos comerciais no Brasil. O destaque é a atualização do motor F4.5, que passa a oferecer de 150 cv até 240 cv e, segundo a fabricante, tem potencial de redução de até 9% no consumo de combustível. A empresa também apresenta uma nova geração do sistema de pós-tratamento Single Module, 30% mais leve que a versão anterior.

F4.5: mais potência e menos consumo

De acordo com Adriano Hishi, presidente da Cummins no Brasil, o novo patamar do F4.5 representa um aumento de aproximadamente 14% na potência em relação à versão anterior. Para chegar a esses resultados, a empresa adotou uma nova família de turbocompressores de alta eficiência, ampliou a capacidade do sistema de injeção e desenvolveu uma calibração específica para as condições brasileiras.

O conjunto busca elevar a densidade de potência, característica relevante em aplicações que exigem maior capacidade de transporte sem aumento proporcional do porte do motor. A Cummins aproveita ainda a experiência acumulada com a família F, incluindo o F3.8, que tem mais de quinze anos de presença no mercado.

Para aplicações de menor porte, como veículos comerciais usados em operações urbanas e entregas de última milha, a empresa destaca o motor F3.0, com versões de até 200 cv.

Pós-tratamento mais leve e compacto

A nova geração do Single Module tem aplicação prevista nas plataformas F3.8 e F4.5. Segundo Daniel Malaman, gerente geral da área de pós-tratamento, o conjunto ficou 30% mais leve e 5% menor, com redução de aproximadamente 15 kg. A evolução parte da arquitetura modular introduzida para atender ao Proconve P8, equivalente à norma Euro 6.

O objetivo é reduzir o espaço ocupado pelos componentes, simplificar a instalação no veículo e facilitar a manutenção. A arquitetura modular permite substituir componentes individualmente, sem exigir a troca integral do conjunto em determinadas intervenções.

Outra mudança está na geometria do mixer, componente que favorece a mistura do Arla 32 com os gases de escape. A nova configuração proporciona redução de até 2% no consumo de Arla 32, segundo a Cummins.

  • A unidade dosadora UL2.2, que integra bomba e injetor, já é usada nos motores B6.7 e L9 e passa a equipar as plataformas F3.8 e F4.5.
  • Ela usa o próprio fluido de ureia para refrigerar o injetor, o que elimina a necessidade de um circuito adicional de refrigeração do veículo nessa configuração.
  • A Cummins projeta que a unidade esteja presente em pelo menos 70% dos veículos comerciais fabricados no Brasil em 2027 e 2028.

Combustíveis alternativos e eixos

A fabricante amplia os ensaios com combustíveis alternativos. Seus motores já são homologados para B20, mistura de diesel com 20% de biodiesel, enquanto o B25 segue em testes. A empresa também aponta compatibilidade com HVO, em aplicações aprovadas pelo fabricante. Para o transportador, o uso dessas tecnologias depende da operação, da infraestrutura disponível e da viabilidade econômica.

O motor 6.7 a gás continua no portfólio para operações com rotas definidas e abastecimento concentrado, como determinadas operações de coleta de resíduos. Segundo Hishi, centenas de unidades já operam no Brasil.

Na divisão de eixos, a Cummins apresenta o 17XHE, de plataforma global com participação das equipes do Brasil e da Europa, que atende caminhões com PBTC de até 91 t. Também mostra o 18XHD, versão reforçada derivada do 18X, voltada a determinadas configurações de caminhões 6×2. Segundo Kleber Assanti, gerente geral da unidade de eixos, os freios a disco representam menos de 5% do mercado brasileiro, principalmente por causa dos custos de aquisição e manutenção e das condições das estradas.

O que muda para o mercado brasileiro

Com ganhos declarados de potência, consumo, peso e espaço, a Cummins reforça a oferta de motores e componentes pensados para as condições do transporte nacional. Os números apresentados são informados pela própria fabricante, e o desempenho em operação real dependerá da aplicação de cada transportador.

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