Num comparativo entre dois SUVs mais em conta que os compactos tradicionais, o Jeep Avenger leva a melhor sobre o Honda WR-V. A avaliação aponta o modelo da Jeep como o conjunto mais eficiente e moderno, além de custar menos. O WR-V, por sua vez, se destaca principalmente pelo espaço interno e pelo acabamento.
Duas propostas diferentes
O segmento de SUVs ganhou uma nova divisão: a dos modelos mais acessíveis que os compactos, caso de Avenger e WR-V. O Jeep acabou de ser lançado com uma proposta mais ousada, a começar pela cor de lançamento, o Verde Boreal, que não passa despercebida. O Honda segue uma receita mais conservadora e oferece bom espaço.
Na versão Longitude, que custa R$ 135.990, o Avenger tem alguns detalhes que podem causar estranhamento, como a parte superior do painel em plástico duro e os grafismos nada convencionais do cluster digital. Com o tempo, porém, o novato se mostra um carro interessante. Já o WR-V EXL, de R$ 154 mil, passa a sensação de um SUV que vale mais pelo que cobra, graças ao acabamento mais caprichado e ao maior espaço interno.
Tecnologia e equipamentos
É na modernidade que o Honda fica devendo. O WR-V ainda traz alavanca de freio de estacionamento, enquanto o Avenger usa freio eletromecânico acionado por botão. A central multimídia também pesa contra o Honda: para um carro acima de R$ 150 mil, a avaliação considera necessário ter internet a bordo nativa, de preferência com roteador, GPS, inteligência artificial e comando de voz eficiente.
O sistema do Jeep não é perfeito, mas cumpre melhor os requisitos atuais. A tela de 10,25 polegadas poderia ser maior, porém a central é conectada, tem GPS, aceita alguns comandos de voz e pode receber o Chat GPT. Até a qualidade do som pareceu melhor. Outro ponto: o WR-V não tem teto solar. No Avenger Longitude há um opcional, não panorâmico e com tela de acionamento manual, por R$ 8.500 junto com o Chat GPT. Em compensação, só o Honda tem saídas de ar no banco traseiro.
- Avenger: freio de estacionamento eletromecânico, central conectada com GPS e seletor de tipo de terreno, embora a tração seja 4x2.
- WR-V: acabamento mais caprichado, saídas de ar traseiras e alavanca de freio tradicional.
Desempenho, consumo e espaço
O Avenger usa motor 1.0 turboflex de 116 cv e 20,4 kgfm de torque a 1.750 rpm. O WR-V tem motor 1.5 aspirado, todo de alumínio, um pouco mais potente (125 cv), mas com menos força (15,8 kgfm), atingida em rotação alta, a 4.600 rpm. Para ganhar agilidade, é preciso pisar fundo, o que aumenta consumo, ruído e vibrações. No Jeep, o carro anda mais em silêncio, sem exigir tanto do acelerador.
Os números favorecem o Jeep: vai de 0 a 100 km/h em 10,3 segundos, contra 12,5 s do Honda, e a máxima é de 185 km/h contra 175 km/h. Segundo dados do Inmetro, o Avenger também é um pouco mais econômico e tem maior autonomia com gasolina na estrada: até 635 km, ante 563 km do WR-V. Ajuda o sistema híbrido leve de 12 Volts, o mesmo usado em Pulse, Fastback e outros modelos da Stellantis. No Honda, o sistema HEV só será adotado a partir de 2028; deve ser mais eficiente que o da Jeep, mas ainda vai demorar.
Fora do asfalto, o Avenger leva vantagem, com ângulos de ataque e saída de 22 e 33,9 graus (17,4 e 27,2 no Honda) e 22,1 cm de vão livre do solo. O WR-V recupera terreno no espaço: tem 2,65 metros de entre-eixos, contra 2,56 do Jeep, e porta-malas de 458 litros, bem maior que os 321 litros do rival.
O que isso significa para o consumidor
Para o mercado brasileiro, o comparativo mostra um Avenger que chega com boa relação entre custo e benefício e um pacote mais moderno, mas que ainda é novo e pode evoluir, sobretudo no acabamento do painel e no grafismo do cluster. O Honda WR-V é mais indicado para quem realmente precisa de um SUV espaçoso e não faz questão de desempenho melhor nem das modernidades hoje disponíveis, num cenário em que concorrentes cada vez mais fortes chegam ao segmento.
