O Honda WR-V EXL, versão topo de linha do SUV compacto da marca, foi avaliado e mostrou virtudes claras, como o espaço interno e o consumo de combustível. Em contrapartida, o ruído do motor 1.5 aspirado e o comportamento do câmbio CVT acabam comprometendo o conforto a bordo.
Origem e posicionamento do WR-V
O WR-V foi lançado em 2017, com a primeira geração tendo forte participação da engenharia brasileira. Ele foi criado pela equipe de Pesquisa e Desenvolvimento de Sumaré (SP), partindo da base do Fit. A segunda geração, de 2025, deriva do Elevate, projetado especialmente para a Índia, e foi adaptada no Brasil sobre a plataforma GSC, a mesma do City.
Na linha 2026/2027, o modelo assumiu o lugar de SUV de entrada da marca, ao lado de HR-V, ZR-V e CR-V. Ele é fabricado em Itirapina (SP), com o motor produzido na unidade de Sumaré. O design prioriza linhas retas e robustas, embora, segundo a avaliação, não seja um dos atrativos mais notados do carro.
Por dentro: espaço e equipamentos
A cabine segue o conceito da carroceria, com linhas retas e destaque para a horizontalidade. A versão EXL traz bancos e volante revestidos em couro, carregador por indução, apoio de braço central dianteiro e traseiro, barras longitudinais no teto e faróis de neblina em LED. A central multimídia tem tela de 10 polegadas com espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, e o painel digital TFT é de 7 polegadas. O aplicativo myHonda Connect, exclusivo da EXL, permite monitorar e controlar funções do carro à distância.
O porta-malas tem 458 litros, chegando a 1.466 litros com o rebatimento dos encostos traseiros. Há ainda ar-condicionado digital com saídas para o banco de trás. Por outro lado, a avaliação aponta excesso de plásticos duros no painel superior, no console e nas portas, com parafusos aparentes em algumas áreas. O WR-V também não tem o Magic Seat, e o freio de mão é por alavanca.
Motor, CVT e consumo
O WR-V EXL usa o motor 1.5 DI i-VTEC flex aspirado, associado ao CVT com 7 marchas simuladas. São 126 cv a 6.200 rpm, tanto com etanol quanto com gasolina, e 15,8 kgfm de torque a 4.600 rpm com etanol. Segundo a Honda, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 11,4 segundos e atinge 175 km/h de velocidade máxima.
Sem turbo, o modelo fica atrás de concorrentes diretos em agilidade, retomadas e ultrapassagens. O ponto mais incômodo é o "grito" do motor quando o CVT mantém as rotações altas, com ruído excessivo na cabine. No consumo, segundo o PBEV, as médias são de 12 km/l com gasolina e 8,2 km/l com etanol na cidade, e de 12,8 km/l e 8,9 km/l na estrada, respectivamente.
A suspensão tem ajuste firme e equilibrado para o uso urbano, com boa absorção de buracos e valetas e vão livre de 22,3 centímetros. Por ser alto, o carro inclina mais a carroceria em curvas feitas em velocidade elevada e transmite sensação de leveza acima de 100 km/h.
Segurança
O WR-V traz de série o pacote Honda Sensing, com controle de cruzeiro adaptativo, frenagem para mitigação de colisão, assistência de permanência em faixa e ajuste automático de farol. Também tem controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e seis airbags.
Para o mercado brasileiro, o WR-V EXL, vendido a R$ 149.900, reforça a aposta da Honda em um SUV de entrada com espaço, equipamentos de segurança e economia, mas abre mão de desempenho e refinamento acústico. Para quem prioriza uso urbano e conforto de espaço, é uma opção a considerar. Quem busca motor mais ágil e silencioso pode achar o conjunto aquém dos rivais.
