domingo, 4 de outubro de 2026

Carros blindados exigem mais cuidados na hora da manutenção

O Brasil fechou 2025 com o registro de 42.800 carros blindados vendidos, o que coloca o país como líder mundial nesse tipo de solução. Mas a proteção tem um custo que não termina na compra: o peso adicional da blindagem acelera o desgaste de alguns componentes e torna a manutenção mais cara. Na prática, é como se o carro rodasse sempre carregado.

Pneus: calibragem e índice de carga

Os carros trazem indicações da pressão correta dos pneus, no manual ou em uma etiqueta que pode estar no batente da porta do motorista ou na tampa do tanque de combustível. Ela mostra os valores para o veículo vazio e para o veículo carregado.

Segundo Fábio Raymundo, gerente de pós-vendas da Avallon Blindagens, a orientação aos clientes é usar a calibragem para carga máxima. Não é necessário ir além dessa indicação, segundo o especialista.

Os pneus também trazem o índice de carga, descrito por dois números nas medidas, logo após o diâmetro da roda. Esse dado indica quantos quilos cada roda pode suportar com segurança. Para Fabio Magliano, consultor de treinamentos e produtos da Pirelli para a América Latina, não existe uma regra para alterar esse índice. É preciso verificar quanto peso foi acrescentado pela blindagem, como ele se distribui entre os eixos e se a capacidade dos pneus originais continua adequada ao peso final do veículo. Se a capacidade permanecer dentro dos limites previstos, a troca por um índice superior não é necessária. A mudança só é indicada se o peso do carro somado ao da blindagem ultrapassar o índice original.

Não existem no mercado brasileiro pneus específicos para carros blindados. Raymundo aponta que há soluções para manter a mobilidade em caso de furo. A mais comum é o Run Flat (ou cinta de proteção), instalado na parte interna da roda. Ele evita que o pneu se desloque quando está vazio, permitindo que o motorista saia de uma situação de emergência.

Suspensão e direção sob mais esforço

O peso extra também acelera o desgaste dos componentes de suspensão e direção, que ficam mais exigidos do que em um carro similar sem proteção balística. O mecânico Ludovico Ballesteros, proprietário do Pitucha Centro Automotivo, afirma que amortecedores, coxins dos amortecedores e buchas da suspensão são as peças que mais sofrem.

Como não existe uma vida útil padronizada para essas peças, o ideal é pedir ao mecânico que as confira durante as revisões. Rodar com a suspensão danificada é perigoso.

Cuidados na oficina

O aumento de peso em um carro blindado é proporcional ao seu tamanho, e os mecânicos precisam garantir que o elevador dará conta de erguer o veículo com segurança. Ballesteros também alerta para o cuidado ao posicionar o carro no elevador, para não torcer a carroceria: após a blindagem, o vidro fica mais sensível a torções, e isso pode quebrá-lo.

O que isso significa para o mercado brasileiro

Com o Brasil na liderança mundial de carros blindados, a manutenção especializada ganha peso para quem escolhe esse tipo de proteção. Os gastos do proprietário não acabam depois da blindagem: as contas de manutenção também serão mais salgadas. Calibragem correta, atenção ao índice de carga dos pneus e revisões frequentes da suspensão são cuidados que ajudam a manter o carro seguro.

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