terça-feira, 11 de agosto de 2026

BMW e universitários criam carro elétrico que termina o dia com mais bateria do que começou

Um protótipo elétrico criado por 16 estudantes de mestrado da Universidade Clemson, nos Estados Unidos, em parceria com a BMW, terminou as simulações de uso urbano com mais energia do que gastou. Batizado de Luminetta, o carro tem mais de 1.700 células fotovoltaicas na carroceria e foi apresentado em 6 de agosto no centro de pesquisa automotiva da universidade, em Greenville, na Carolina do Sul.

Oficialmente chamado de Deep Orange 17, o cupê de dois lugares nasceu de um desafio da área de pesquisa e desenvolvimento da BMW no segundo semestre de 2024: gerar mais energia do que se consome na rotina diária. O trabalho levou dois anos.

Em vez de mirar apenas os ciclos padronizados de teste, o grupo partiu de uma constatação simples: carros de passeio passam a maior parte do tempo parados. As células captam luz paradas e em movimento.

Segundo a Clemson, simulações de clima e de incidência solar em Greenville, Frankfurt (Alemanha), Madri (Espanha) e Mumbai (Índia) indicaram que, para um deslocamento diário de 20 km, o sistema gerou energia excedente equivalente a 50 km de autonomia extra por dia, na média das quatro cidades.

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Foto: Universidade de Clemson x BMW | Divulgação

Os 550 kg são peça central da conta

O resultado depende de características que não existem em um carro de produção. O Luminetta pesa 550 kg, cerca de um quarto do peso de veículos de porte semelhante vendidos hoje. O chassi combina aço estrutural na proteção dos ocupantes, alumínio, fibra de carbono e juntas metálicas feitas por impressão 3D.

A carroceria foi desenhada para reduzir o arrasto aerodinâmico, com inspiração declarada no peixe-cofre. Frenagem regenerativa, distribuição inteligente de torque e controles otimizados da transmissão completam o pacote: o desempenho não vem só do sol, mas de uma eficiência bem acima da de um elétrico convencional.

Os painéis foram desenvolvidos com o Instituto Fraunhofer de Sistemas de Energia Solar (ISE), da Alemanha, e seguem produzindo eletricidade mesmo quando parte da superfície está sombreada. Um filme externo protege as células e responde pela cor da carroceria, obtida por fabricação a laser.

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Foto: Universidade de Clemson x BMW | Divulgação

Próxima parada é a CES 2027

“Este é um projeto que queríamos realizar há anos, então é muito gratificante ver este grupo de estudantes se reunir nos últimos dois anos, superar tantos desafios e restrições técnicas e dar vida a um veículo energeticamente positivo”, disse Stephan Augustin, gerente de pesquisa e novas tecnologias da BMW.

A parceria passa de duas décadas: a BMW foi uma das fundadoras do centro de pesquisa automotiva da Clemson, em 2007, e já bancou cinco projetos do programa Deep Orange, que a cada ano põe alunos de pós-graduação para desenvolver um protótipo funcional do zero.

Nada disso significa aplicação imediata em série: o Luminetta não atende às exigências de um automóvel de rua, e o balanço energético cai à medida que o peso e a área de captação se aproximam dos de um carro comum. A pesquisa com o protótipo continua em Greenville, e o carro deve ser exposto na CES 2027, em Las Vegas.

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