sábado, 7 de novembro de 2026

Carros atingidos por meteoritos? Já aconteceu pelo menos três vezes

Ter o carro atingido por um meteorito parece roteiro de cinema, mas já aconteceu. Em mais de um século de história do automóvel, três casos foram devidamente documentados: um Pontiac 1928, um Chevrolet Malibu e um Nissan Pathfinder. Todos ocorreram nos Estados Unidos ou no Canadá, e nenhum dos veículos estava ocupado no momento do impacto.

Por que é tão raro

A raridade tem explicação. Segundo a NASA, a Terra é bombardeada diariamente por mais de 100 toneladas de poeira e partículas do tamanho de grãos de areia, que se desintegram na atmosfera.

A agência usa o carro como régua para o passo seguinte: cerca de uma vez por ano, um asteroide do tamanho de um automóvel entra na atmosfera, produz um clarão e se consome antes de chegar ao solo.

Os três casos documentados

Na manhã de 29 de setembro de 1938, em Benld, no interior de Illinois, uma rocha de 1,8 kg furou o telhado de uma garagem de madeira e acertou o cupê Pontiac 1928 de Edward McCain. Ela atravessou o teto, o banco e o assoalho, ricocheteou no escapamento e voltou a se alojar nas molas do banco.

McCain não estava no carro. Ao encontrar o buraco no estofamento horas depois, desconfiou de ratos e só então chamou o vizinho, descobrindo o que era. Uma moradora estava a cerca de 15 metros do impacto, provavelmente a pessoa que mais perto chegou de ser atingida por um meteorito até aquele momento.

A análise posterior mostrou uma crosta de fusão de apenas 1 milímetro, indício de que a rocha entrou na atmosfera em velocidade baixa e por isso não se desfez. O meteorito e as peças do carro estão no Field Museum of Natural History, em Chicago.

  • Peekskill, Nova York (9 de outubro de 1992): uma rocha de 12 kg atravessou a traseira do Chevrolet Malibu 1980 de Michelle Knapp, então com 18 anos. Ela havia comprado o carro da avó por US$ 400 poucas semanas antes. O meteorito perfurou o porta-malas e abriu uma cratera de 15 centímetros no chão sob o veículo.
  • Grimsby, Ontário (25 de setembro de 2009): um fragmento de 45 gramas atingiu o para-brisa do Nissan Pathfinder de Yvonne Garchinski depois de cruzar o céu a cerca de 75 mil km/h. A rocha tem 4,6 bilhões de anos, praticamente a idade do Sistema Solar. Outros pedaços foram achados na região, sem causar danos.

Quando o prejuízo vira negócio

O caso de Peekskill ganhou um desdobramento curioso. Knapp vendeu o Malibu, nunca consertado, por US$ 10 mil, e hoje ele circula como peça de museu. A rocha saiu por US$ 50 mil.

O que a localização dos casos revela

A concentração dos três episódios na América do Norte diz menos sobre o destino dos meteoritos do que sobre quem registra o que cai. Impactos em carros em outras partes do mundo podem simplesmente nunca ter chegado a um catálogo científico.

Para o motorista brasileiro, o recado é de curiosidade, não de risco. Os registros mostram que o fenômeno é extremamente raro e que, nos casos documentados, nenhum veículo estava ocupado. Quanto ao Brasil, a fonte não traz nenhum caso confirmado, e a ausência de registros pode refletir mais a falta de catalogação do que a ausência de ocorrências.

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