quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Explosão da IA está roubando chips e deixará os carros mais caros, diz a GM

A corrida global por inteligência artificial está chegando ao preço dos carros. Segundo a GM, a disparada no custo dos chips de memória, impulsionada pela demanda de IA, vai pressionar os custos da indústria automotiva. Os componentes de DRAM, responsáveis pelo armazenamento temporário de dados, hoje custam seis vezes mais do que há um ano.

Por que a IA encarece os chips de memória

Cada vez que alguém pede uma receita ao ChatGPT ou aciona o Gemini para redigir um texto, a demanda por IA cresce um pouco. Multiplicada por bilhões de pessoas, essa demanda pressiona um componente essencial: a memória DRAM.

Os carros dependem cada vez mais desse tipo de silício. Dos assistentes avançados de condução às funções básicas do painel, tudo recorre ao mesmo tipo de chip. Além da alta de preços, há escassez, porque os fabricantes de chips não conseguem acompanhar o ritmo da demanda.

A consultoria AlixPartners estima que a indústria automotiva consome cerca de 10% de toda a DRAM produzida no mundo. A IA já responde por 32%, a maior fatia isolada, à frente de smartphones, computadores e qualquer outra categoria. A projeção é de que esse índice chegue a 48% até 2028. Com data centers e IA engolindo metade da produção global, todo o resto, montadoras incluídas, vai pagar a conta.

O que a GM está dizendo

Em entrevista ao Nikkei Asia, o diretor financeiro da GM, Paul Jacobson, afirmou que a montadora espera um aumento de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões nos custos de insumos neste ano. Ele não detalhou quanto disso vem especificamente dos chips, e o valor não inclui tarifas de importação. Segundo o executivo, o aperto deve piorar no segundo semestre.

A GM também revisou sua previsão de preços para a América do Norte. Agora projeta alta média de 0,3% no valor dos veículos novos neste ano, em vez da estabilidade ou leve queda de 0,3% que esperava antes. A própria montadora batizou o fenômeno de "chipflation", a inflação dos chips.

Montadoras correm para garantir estoques

De acordo com o Nikkei Asia, o cenário obriga as fabricantes a se anteciparem. GM e Ford, além de sete importantes fornecedores de autopeças, entre eles Denso e Astemo, fecharam recentemente contratos de fornecimento de longo prazo com a Micron. As montadoras também tentam garantir estoques de DRAM antes da escassez prevista para o ano que vem.

Quem sente mais o impacto são as fabricantes chinesas, já que os veículos eletrificados avançados do país usam mais chips do que boa parte das alternativas ocidentais. A corretora Huayuan Securities calculou que o custo de memória em carros produzidos na China passava de US$ 70 por unidade em novembro de 2025, contra cerca de US$ 30 nos modelos japoneses. Algumas marcas chinesas já começaram a repassar esse custo, elevando o preço de pacotes opcionais de assistência à condução.

O que isso significa para o mercado brasileiro

As informações se referem à GM na América do Norte e à indústria global, e a fonte não traz projeções específicas para o Brasil. Ainda assim, o recado vale para quem acompanha o setor por aqui: quanto mais tecnologia embarcada, maior a dependência de chips de memória, e a disputa com a indústria de IA por esse insumo tende a pesar nos custos das montadoras. O movimento das marcas chinesas, que já repassam o custo em pacotes opcionais de assistência à condução, mostra um caminho possível para o consumidor sentir essa conta.

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