A BYD divulgou novas imagens e detalhes da nova geração do Dolphin Mini, incluindo o interior. O hatch elétrico ficou maior e ganhou compartimento dianteiro para bagagem, o chamado "frunk". O lançamento no mercado chinês deve acontecer em breve. No Brasil, a nova geração não chega antes de 2028.
Motor atrás e porta-malas na frente
A mudança mais importante está sob a carroceria. O novo Dolphin Mini abandona a tração dianteira, e o motor elétrico passa para o eixo traseiro. Isso liberou espaço sob o capô para um segundo porta-malas, com 94 litros. Ali cabem o cabo de recarga, uma mochila ou as compras rápidas, sem bagunçar o compartimento principal.
O rival Geely EX2 também tem porta-malas dianteiro, mas com 70 litros. No compartimento traseiro, o novo Dolphin Mini chega a 1.380 litros com os bancos rebatidos. O EX2 oferece 375 litros com os bancos no lugar e 1.320 litros com o banco traseiro rebatido. O Dolphin Mini vendido hoje no Brasil tem 230 litros de porta-malas, que chegam a 930 litros com os bancos rebatidos, e não tem compartimento dianteiro.
O carro também cresceu bastante. São 4,20 metros de comprimento, 1,81 m de largura e 1,57 m de altura, com entre-eixos de 2,65 m. O modelo atual tem cerca de 3,8 metros de comprimento.
Interior com itens de carro de outra categoria
O motorista ganha banco com ajuste elétrico e função de massagem, algo pouco comum em carros de entrada. O passageiro da frente também tem regulagem elétrica, e há iluminação ambiente com várias cores. O console central tem dois andares, com novos porta-objetos.
No painel, a tela flutuante é dividida na proporção 3/7. A parte menor, à esquerda, funciona como quadro de instrumentos e mostra velocidade, marcha, autonomia, consumo de energia e modo de condução. O lado direito, maior, cuida do entretenimento, como navegação e música.
Quem vai atrás também foi lembrado, com saída de ar-condicionado ajustável e dois compartimentos escondidos sob os bancos da segunda fileira. Há ainda os botões magnéticos que a BYD chama de "mágicos". São acessórios que podem ser fixados em diferentes pontos da cabine como atalhos de funções.
Motor, baterias e recarga
O motor entrega 127 cv. Haverá duas opções de bateria, de 30 kWh e 39,2 kWh, com autonomia de 320 a 420 km no ciclo chinês CLTC, que costuma ser bem otimista. A expectativa é que o carro traga o sistema de carregamento ultrarrápido da marca, capaz de levar a bateria de 10% a 97% em nove minutos.
Outro item é o LiDAR opcional instalado no teto, um sensor a laser que "enxerga" o ambiente em 3D com precisão. Ele faz parte do pacote de assistência DiPilot 300.
Preço e cenário de vendas
Segundo a previsão do site CarNewsChina, o novo modelo deve custar menos de 100.000 yuans na China. Isso indica um carro um pouco mais caro que o atual, mas com bem mais conteúdo. No Brasil, a versão atual parte de R$ 118.990, e a versão GS custa R$ 119.990.
A renovação tem motivo. Na China, o Dolphin Mini somou 74.087 unidades entregues entre janeiro e agosto deste ano, queda de 66,5%, segundo o China EV DataTracker. No mesmo período, o Geely EX2 tornou-se o carro mais vendido do país, e é justamente ele o alvo da nova geração.
No Brasil, a situação é outra. Em agosto, o Dolphin Mini foi o carro elétrico mais vendido, com 8.299 unidades emplacadas, à frente do Dolphin, com 6.740, e do Geely EX2, com 5.804. Na parcial de setembro da Fenabrave até o dia 28, somava 7.866 emplacamentos e era o segundo colocado entre os automóveis, atrás apenas do Polo. Também liderava as vendas em 16 estados, à frente de Argo, HB20 e T-Cross. O EX2, que crescia até agosto, caiu para 2.554 emplacamentos na parcial de setembro, menos da metade do volume do mês anterior.
Para o consumidor brasileiro, a nova geração mostra para onde a BYD quer levar o hatch elétrico: mais espaço, mais tecnologia e um porta-malas extra. Como a chegada ao país só deve ocorrer a partir de 2028, o Dolphin Mini atual segue como a aposta da marca por aqui, e lidera as vendas entre os elétricos.
