O preço médio nacional do etanol chegou a R$ 4,08 por litro na semana de 13 a 19 de setembro, e a gasolina comum avançou para R$ 6,54, segundo a ANP. Para quem dirige um carro flex, o ponto prático continua sendo a relação entre os dois preços na hora de abastecer.
Alta semanal do etanol: o que dizem os números
A pauta original apontava uma alta de 4,35% no etanol, resultado de uma comparação com R$ 3,91. A síntese oficial mais recente da ANP, porém, registra um avanço semanal de 0,99%, de R$ 4,04 para R$ 4,08 por litro. Por isso, o dado mais confiável para acompanhar a semana é o da síntese oficial: o etanol subiu, mas num ritmo bem menor do que a referência inicial sugeria.
A gasolina comum também avançou e chegou a R$ 6,54 por litro. Com os dois combustíveis em alta na semana, a conta do motorista flex precisa ser refeita antes de cada abastecimento.
O contexto de agosto: etanol vinha em queda
Segundo a matéria publicada originalmente pelo Garagem360, o etanol havia ganhado espaço no bolso do motorista em agosto. O preço médio nacional caiu 2,82%, de R$ 4,25 para R$ 4,13 por litro. A gasolina recuou apenas 0,44% e fechou o mês em R$ 6,73. A diferença entre os dois combustíveis chegou a R$ 2,60 por litro.
A queda do etanol foi mais de seis vezes maior que a da gasolina e completou o quarto mês consecutivo de baixa. De acordo com a matéria, o movimento reflete uma oferta doméstica mais robusta, favorecida pela safra e pelo maior direcionamento das usinas à produção de etanol.
- Etanol em agosto: R$ 4,13 por litro, com queda de 2,82%.
- Gasolina em agosto: R$ 6,73 por litro, com queda de 0,44%.
- Diferença entre os dois: R$ 2,60 por litro.
Na média nacional de agosto, o etanol custava cerca de 61,4% do preço da gasolina. Esse valor ficava abaixo do critério de 70%, usado como referência para avaliar a vantagem econômica em muitos carros flex.
Por que a média nacional não basta
O levantamento de agosto mostrou o etanol mais competitivo em 21 unidades da federação. A gasolina ainda aparecia como opção mais vantajosa em seis estados: Alagoas, Maranhão, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
As diferenças regionais também eram grandes. O Sudeste teve etanol médio de R$ 3,99 e o Centro-Oeste, de R$ 4,08. O Norte registrou a maior média, de R$ 5,19, e São Paulo teve a menor média estadual, de R$ 3,80. Entre as cidades pesquisadas, Jeriquara (SP) apresentou etanol a R$ 2,99 por litro, enquanto Itarema (CE) e Codó (MA) chegaram a R$ 5,99.
Por isso, o motorista deve dividir o preço do etanol pelo da gasolina no posto onde costuma abastecer. O consumo relativo muda de um carro para outro, e os preços variam bastante entre cidades.
Oferta maior sustenta o cenário, mas há riscos
A matéria cita o suporte do setor sucroenergético. A projeção para a safra de cana aponta produção de 705,2 milhões de toneladas, alta de 4,7%. A fabricação de etanol de cana deve crescer 9,7% e a de etanol de milho, 17%. Mais oferta tende a aumentar a competição entre os combustíveis, especialmente em estados produtores. Petróleo, câmbio, tributos e custos logísticos, porém, continuam capazes de alterar a relação rapidamente.
A matéria também faz uma conta simples para agosto. A economia nominal de R$ 2,60 por litro equivale a R$ 130 de diferença em um abastecimento de 50 litros, antes de considerar a diferença de consumo entre os combustíveis.
Para o mercado brasileiro, a mensagem é de cautela. Depois de meses de queda, o etanol voltou a subir na semana de 13 a 19 de setembro, mas num ritmo menor do que a referência inicial indicava. A gasolina também avançou. Para o dono de carro flex, a decisão segue dependendo do preço local e do consumo do próprio veículo, e não apenas da média nacional.
