quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Porsche põe marcha, solavanco e som de motor no Taycan elétrico; e nada é real

A Porsche criou um câmbio que não existe. A montadora alemã detalhou o funcionamento do E-Shift, opcional do Taycan que usa software para simular uma transmissão PDK de dupla embreagem e oito velocidades no esportivo elétrico, com trocas de marcha, solavancos e som de motor. Nada disso torna o carro mais rápido, e o objetivo é justamente outro.

A resposta imediata de um propulsor elétrico é uma de suas maiores virtudes: o torque chega sem atraso e a aceleração acontece praticamente sem interrupção. Na avaliação da Porsche, porém, isso cria um efeito colateral, porque as referências que sempre definiram a experiência de dirigir um esportivo, como o giro subindo e as trocas de marcha, deixam de existir.

“O E-Shift traz mais emoção e mais feedback para dentro do carro”, resume Markus Lindermeier, responsável pela função na Porsche.

Porsche Taycan Turbo S Soho House One Sonderwunsch
Porsche Taycan (Foto: Porsche | Divulgação)

Sete marchas escritas em código

A tecnologia é inteiramente baseada em software. Na prática, os engenheiros escreveram sete trocas adicionais no código, recriando dentro das centrais eletrônicas o comportamento de um PDK real, com detalhes como as reduções durante a frenagem e diferentes estratégias de troca.

“Queríamos preservar uma experiência de condução autêntica sem herdar as desvantagens de uma transmissão tradicional”, afirma Lindermeier. “As trocas de marcha, por exemplo, podem ser executadas mais rápido do que em um carro a combustão.”

PORSCHE E SHIFT 2
Foto: Porsche | Divulgação

Há um detalhe curioso na engenharia. O Taycan já conta com um câmbio real de duas marchas no eixo traseiro, e a Porsche sincronizou de propósito a passagem da segunda para a terceira marcha virtual com a troca mecânica que de fato ocorre. Virtual e físico, portanto, se sobrepõem.

O desempenho permanece o mesmo. A cada troca simulada, o sistema reduz brevemente o torque e o restabelece em seguida, o que preserva os números de aceleração e ainda entrega ao motorista o solavanco esperado. O conta-giros, posicionado ao centro do painel, sobe até 7.500 rpm.

Som e comandos no volante

O trabalho acústico partiu do Porsche Electric Sport Sound, já usado no modelo. Sobre essa base, a marca desenvolveu um som que reage ao giro virtual, à carga e à velocidade do carro, além de uma nova assinatura sonora para a partida. Tudo é reproduzido pelos alto-falantes internos e externos que o Taycan já tinha, com ênfase na traseira.

O acionamento é feito por um botão no volante esportivo GT, de onde o motorista escolhe entre os modos manual e automático. As borboletas atrás do volante executam as trocas virtuais. Com o E-Shift desligado, as mesmas hastes voltam a ajustar a regeneração de energia em dois estágios, e puxar as duas ao mesmo tempo aciona o Push-to-Pass, que libera potência extra por alguns instantes.

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