sexta-feira, 31 de julho de 2026

Toyota Corolla já foi álbum de bossa nova na voz de uma brasileira

A paixão que os japoneses têm pelo Brasil vai além de Ayrton Senna; eles curtem também a nossa música. A bossa nova foi um sucesso global nos anos 60 e cativou os japoneses, ao ponto de chamarem uma cantora brasileira para gravar uma música para o Toyota Corolla.

Isso aconteceu 25 anos antes de o Corolla chegar ao Brasil através de importação e 29 anos antes de ele começar a ser feito em Indaiatuba (SP). A jovem cantora carioca Claudya, nome artístico de Maria das Graças Rallo, gravou em 1969 o álbum O Meu Corolla exclusivamente para o mercado japonês.

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Ela começou a carreira cedo, sendo crooner desde os 13 anos; participou do programa O Fino da Bossa no final dos anos 60 e venceu o I Festival Fluminense da Canção. Claudya representou o Brasil em festivais internacionais, em países como Japão, Grécia, Espanha, México e Venezuela, mas demorou a ganhar projeção por aqui.

Em 1969, Claudya foi convidada para fazer uma temporada no Japão, onde passou seis meses cantando em diversas casas. Foi aí que aconteceu a gravação do disco O Meu Corolla, que foi financiado pela Toyota.

O disco trazia uma compilação interessante de músicas: clássicos da bossa nova como “Água de Beber”, “Corcovado” e “Mas Que Nada”, a internacional “No Star In The Sky” cantada em japonês e outras. Em meio a isso estava o jingle bilíngue “O Meu Corolla”, promovendo o carro.

Disco O meu Corolla de Caludya encarte
O álbum trazia clássicos nacionais e músicas cantadas em japonês (Foto: Galapagos Records | Reprodução)

Esse álbum foi lançado apenas no Japão, embora algumas das músicas em português tenham chegado a sair no Brasil em outros discos da cantora. Em 2020, a gravadora Discobertas lançou o disco no Brasil, trazendo para nós 11 músicas até então inéditas de Claudya por aqui e nos dando acesso a esse trecho do início de sua carreira.

A cantora carioca ganhou maior projeção nacional na década seguinte. Dona de uma voz potente, gravou músicas icônicas do samba e da MPB como “Deixa Eu Dizer”, “Com Mais de 30”, “Pois É, Seu Zé” e “Agora Quem Ri”.

Claudya voltou a aparecer na mídia em 2008 quando “Deixa Eu Dizer” foi sampleada por Marcelo D2 em “Desabafo”. A cantora segue na ativa e está em turnê, com uma voz que parece não envelhecer e uma carreira tão longeva quanto o Toyota Corolla.

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