O VW Taos Comfortline 2026 custa R$ 200 mil e chega com a receita de um SUV médio que não costuma errar: um "arroz e feijão" bem preparado, com um tempero extra que, na avaliação, é associado à nova origem mexicana do modelo. O preço ficou abaixo do da linha anterior equivalente e também abaixo do de um VW T-Cross mais completo, mas ainda é considerado um pouco alto diante de alguns rivais chineses.
Feito no México, com visual e cabine atualizados
A versão Comfortline, assim como a Highline, passou a ser produzida no México, na mesma fábrica do Jetta GLI e do Tiguan. Até então, o Taos vinha da Argentina, com cabine menos requintada e visual mais antigo, quadrado e tradicional.
A mudança não é uma revolução, mas traz avanços importantes: lanternas interligadas por barra de LED, logotipo traseiro iluminado e faróis dianteiros em LED adaptativos. Por dentro, o acabamento ficou um pouco mais caprichado, com iluminação ambiente em LED, embora ainda haja bastante plástico duro.
Motor 1.4 turbo e câmbio de oito marchas
O principal tempero novo é a transmissão automática AQ300-8F, de oito velocidades, que substitui a caixa de seis marchas anterior. Mais robusta e capaz de suportar mais torque, ela já está no T-Cross 200TSI e no Tera, e é esperada em breve no Nivus e no Virtus.
Ela trabalha com o tradicional 1.4 turboflex 250TSI, que mantém 150 cv e 25,5 mkgf de torque (com etanol). É um motor com mais de dez anos no mercado brasileiro, de durabilidade comprovada, com torque em baixas rotações (o pico surge aos 1.500 rpm) e funcionamento silencioso e suave. Não é esportivo, mas ganhou fôlego extra com as duas marchas a mais.
Na versão Comfortline não há seletor de modos de condução, e o câmbio prioriza o modo econômico: sobe marchas rapidamente, com a 3ª entrando antes dos 30 km/h e a 8ª podendo engatar por volta dos 70 km/h em trecho plano. Na cidade, o consumo passa de 9 km/l com etanol. Na estrada, a 110 km/h e só com o motorista, chegou a 12,5 km/l. O tanque de 49 litros, porém, segue pequeno.
Na rodovia, o motor fica na medida, sem sobra. Em subidas longas ou ultrapassagens com o carro carregado, o câmbio tende a voltar rápido para a marcha mais longa assim que o motorista alivia o acelerador. As trocas são muito rápidas, e há aletas atrás do volante e modo manual na alavanca.
Conforto, espaço e equipamentos
Com suspensões independentes nas quatro rodas, o Taos é macio e lida bem com buracos e lombadas. A plataforma MQB também garante boa dinâmica em curvas, com direção precisa. Por dentro, é espaçoso, com bom vão para as pernas atrás, teto alto e plano e porta-malas de 498 litros.
A lista de equipamentos inclui conjunto óptico em LED, câmera de ré, sensores de estacionamento, ar-condicionado digital dual zone, instrumentação digital de 10,2 pol., multimídia de 10 pol. com conexões sem fio e rodas aro 17. Em segurança, são 6 airbags, alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência, detector de fadiga e piloto automático adaptativo. Falta um pacote ADAS mais completo, algo que rivais chineses oferecem até nas versões de entrada. Para tê-lo, é preciso partir para a Highline, de R$ 215 mil, na qual o teto solar panorâmico ainda é opcional.
Para o mercado brasileiro, o Taos Comfortline encara concorrência pesada, inclusive dentro da própria casa: o T-Cross 250TSI tem o mesmo preço e, embora seja menos sofisticado em acabamento e concepção (sem suspensões independentes, eixo traseiro multilink e freio de mão eletromecânico), pode entregar mais equipamentos. O Taos fica como a opção bem-preparada para quem não quer complicar o cardápio.
