quarta-feira, 7 de outubro de 2026

CEO da Hyundai diz que só condições iguais de concorrência podem minimizar os danos causados pela China

José Muñoz, CEO global da Hyundai, defende condições iguais de concorrência para todas as fabricantes no mercado norte-americano como forma de lidar com a pressão das marcas chinesas. A declaração foi dada durante a apresentação do Hyundai Tucson 2027, em Nova York. O executivo considera possível enfrentar os concorrentes chineses combinando regras comerciais equilibradas, proteção ao mercado e melhorias constantes nos produtos da fabricante sul-coreana.

Condições iguais e o risco de uma abertura total

Segundo Muñoz, a Hyundai já disputa consumidores em várias partes do mundo e obtém bons resultados onde considera que as condições competitivas são respeitadas. O executivo reconhece, porém, que veículos chineses mais baratos poderiam ganhar espaço rapidamente nos Estados Unidos se as atuais barreiras de entrada fossem eliminadas.

A preocupação tem como referência a Europa, onde fabricantes chinesas cresceram rapidamente oferecendo carros aproximadamente 30% mais baratos que rivais europeus comparáveis, mesmo considerando tarifas. Esse avanço aumenta a pressão sobre empresas tradicionais como Volkswagen, Volvo e Mercedes, e é um cenário que as fabricantes norte-americanas temem ver repetido em seu mercado.

Hoje, tarifas elevadas e restrições envolvendo softwares chineses dificultam fortemente a venda direta desses veículos nos Estados Unidos. Donald Trump, entretanto, já declarou que aceitaria fabricantes chinesas construindo fábricas no país caso empregassem trabalhadores norte-americanos. Especialistas também consideram provável que as marcas chinesas encontrem caminhos para atuar localmente, seja produzindo no país ou por meio de diferentes formas de parceria.

A resposta da Hyundai: integração vertical

Apesar desse cenário, Muñoz afirma que a Hyundai não criou uma estratégia específica para responder a uma eventual entrada das chinesas. A empresa prefere concentrar esforços em melhorar continuamente seus produtos, custos e tecnologias, independentemente da origem dos concorrentes.

Uma das principais ferramentas dessa abordagem é a integração vertical, que amplia a produção interna de componentes e tecnologias para melhorar a relação entre qualidade e custo. Como exemplo, o executivo cita o investimento de US$ 5,8 bilhões na Louisiana para produzir aço de menor impacto ambiental e aumentar a competitividade. A mesma lógica deve alcançar software e outras tecnologias que a Hyundai pretende desenvolver internamente, reduzindo dependências externas e controlando melhor seus custos.

Muñoz admite que não consegue prever exatamente o impacto da chegada das chinesas, mas considera a experiência europeia uma referência importante para imaginar as possíveis consequências.

Eletrificação, híbridos e baterias

A diferença tecnológica também aparece na eletrificação. Os elétricos já representam mais de 60% das vendas na China e ultrapassam 20% na Europa. Nos Estados Unidos, permanecem abaixo de 6% do mercado, após a retirada dos subsídios federais promovida pelo governo Trump e pelo Congresso. A polarização política e uma infraestrutura de recarga ainda insuficiente contribuem para o resultado, mas a falta de elétricos acessíveis aparece como uma barreira especialmente relevante. Muñoz acredita que os Estados Unidos ainda podem recuperar terreno e classifica o mercado norte-americano como o mais competitivo do mundo.

  • A Hyundai continua oferecendo no país modelos elétricos como Ioniq 5 e Ioniq 9.
  • A fabricante amplia fortemente sua gama de híbridos, hoje fundamentais para sustentar seus resultados eletrificados, com o Tucson entre seus maiores sucessos comerciais.
  • O Hyundai Group recentemente superou a Honda nas vendas de híbridos nos Estados Unidos e assumiu a segunda posição do segmento, atrás apenas da Toyota.

As baterias são outro desafio: Muñoz reconhece a vantagem chinesa, proporcionada pela enorme escala produtiva alcançada naquele mercado. A Hyundai mantém uma joint venture de fabricação de baterias com a SK On na Geórgia, próxima da Metaplant responsável pela produção de seus elétricos e híbridos. Segundo o executivo, atingir grande volume é essencial para competir, já que a bateria representa uma das maiores parcelas do custo de um veículo elétrico. Mesmo assim, ele afirma não estar preocupado, destacando que os Estados Unidos já contam com produção local de baterias feita por alguns dos maiores fabricantes globais.

O que isso significa para o mercado brasileiro

Embora as declarações se refiram ao mercado norte-americano, o debate ajuda a entender como as grandes fabricantes tradicionais enxergam a expansão das marcas chinesas: com atenção à experiência europeia, defesa de regras equilibradas e aposta em custo, tecnologia e híbridos. Para o consumidor brasileiro, acompanhar esse movimento ajuda a compreender as estratégias globais que influenciam a oferta de modelos e tecnologias também por aqui.

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