A Citroën divulgou os primeiros detalhes visuais do novo 2CV, releitura elétrica de um dos carros mais famosos da história da marca. O modelo será uma das principais atrações do Salão de Paris de 2026, onde será apresentado no domingo, 11 de outubro, na véspera da abertura do evento ao público. A versão de produção é esperada para 2028, e a Stellantis trabalha com preço de entrada inferior a 15 mil euros.
Referências explícitas ao 2CV original
As imagens mostram que a ligação com o clássico produzido entre 1948 e 1990 vai além do conceito de simplicidade. Os faróis continuam destacados no alto dos para-lamas, mas agora com formato modernizado, de parte superior achatada.
- O capô traz diversos vincos fininhos para dar rigidez à peça, em referência aos 2CV até 1960.
- Entre o capô e os para-lamas há uma abertura para passagem de ar, inspirada nos modelos de 1961 em diante.
- A coluna traseira totalmente fechada, característica dos modelos até 1965, reaparece com luz indicadora de direção.
- O carro-conceito terá as clássicas maçanetas giratórias, que acompanharam o Citroën original até sua aposentadoria.
- As rodas seguem a receita do "Deuche" antigo, com aparência semelhante a aros de aço fechados, mas agora com quatro parafusos em vez de três.
- Os pneus são Michelin e trazem logomarca em estilo retrô, em referência à ligação histórica da fabricante de pneus com o desenvolvimento do primeiro 2CV.
Caixa de ovos a preços populares
Uma das imagens divulgadas mostra uma caixa de ovos, referência a uma das histórias mais conhecidas do desenvolvimento do 2CV. O projeto original começou antes da Segunda Guerra Mundial sob a sigla TPV, de Toute Petite Voiture ("carro muito pequeno"). Entre as exigências estava criar um automóvel simples e barato, adequado à França rural da época, com suspensão confortável o bastante para atravessar um campo transportando uma cesta de ovos sem quebrá-los.
Mais de oito décadas depois, a Citroën quer recuperar essa filosofia. Segundo Xavier Chardon, CEO da marca, o novo 2CV pretende devolver poder de compra aos consumidores europeus e funcionar como um carro popular adaptado às necessidades atuais.
Posicionamento e programa E-Car da Stellantis
O novo 2CV não será um elétrico retrô de nicho. Deverá ocupar a base da linha de automóveis da Citroën, acima do pequeno Ami, homologado na Europa como quadriciclo, e abaixo do C3. A proposta é oferecer um carro essencial para deslocamentos cotidianos, reduzindo peso, complexidade e, principalmente, preço.
O modelo faz parte do programa E-Car da Stellantis, criado dentro da iniciativa europeia de uma nova categoria de carros elétricos pequenos, simples e baratos. O objetivo é reduzir parte da complexidade regulatória que tornou cada vez mais difícil produzir carros urbanos de baixo custo na Europa. O preço de entrada inferior a 15 mil euros considera o cenário sem eventuais incentivos governamentais.
A Citroën ainda não divulgou potência, capacidade da bateria ou autonomia. A prioridade deverá ser oferecer o suficiente para o uso diário, em vez de perseguir números elevados de desempenho ou grandes distâncias com uma recarga. Chardon resumiu a filosofia do projeto ao defender que o futuro da mobilidade não depende dos carros mais complexos, mas dos mais simples e intuitivos.
A produção das E-Cars da Stellantis está prevista para começar em 2028 na fábrica de Pomigliano d'Arco, perto de Nápoles, na Itália. Além do 2CV, o grupo prepara um pequeno Fiat elétrico dentro do mesmo programa, sucessor da atual Pandina.
O que significa para o mercado
O "Deuche" voltará com uma missão parecida com a que teve no pós-guerra: pôr mais gente dentro de um automóvel. A diferença é que, desta vez, não haverá o ruído característico do motorzinho boxer de dois cilindros, refrigerado a ar. Para o mercado brasileiro, o projeto serve como indicador de uma tendência: grandes grupos apostando em elétricos pequenos, simples e baratos. Os detalhes sobre o modelo devem ser conhecidos a partir da estreia em Paris.
