A Mazda confirmou que a atual BT-50 não será a última picape da marca. A montadora japonesa, mais conhecida por crossovers elegantes e pelo pequeno roadster Miata, prepara uma nova geração do modelo, mesmo com o segmento de picapes cada vez mais concorrido. A substituta é esperada para 2028.
"Sim" duas vezes: a confirmação oficial
A confirmação veio de Vinesh Bhindi, diretor-geral da Mazda na Austrália, em entrevista ao CarsGuide. Questionado se a Mazda precisa de uma BT-50 no mercado de picapes atual, cada vez mais fragmentado, ele respondeu com um simples "sim". Perguntado se isso significa que uma nova geração está a caminho, repetiu: "sim".
Eiji Kimoto, chefe de design da Mazda, desenhou a BT-50 atual e também trabalha em sua substituta. Quando perguntado se o novo modelo representaria uma grande mudança em relação à picape de hoje, preferiu manter o mistério: "Aguardem". Por enquanto, é o mais próximo de um teaser.
Isuzu ou Changan: quem fornece a base?
A BT-50 atual chegou em 2020 e é, basicamente, uma Isuzu D-Max sob o estilo Zoom-Zoom da Mazda. Foi uma mudança em relação à geração anterior, que usava a base da Ford Ranger. A Mazda já confirmou que não desenvolve picapes totalmente por conta própria, então o caminho mais óbvio é manter a parceria com a Isuzu.
Nesse cenário, a nova BT-50 seria estreitamente relacionada à próxima D-Max, que hoje guarda certo parentesco com a Chevrolet S10 e deve chegar em período semelhante. A Mazda, porém, ainda não anunciou oficialmente os detalhes técnicos.
Há ainda outra possibilidade, ligada à relação crescente da Mazda com a chinesa Changan. A Mazda já obtém os modelos 6e e CX-6e por meio dessa parceria, e a Changan poderia ceder a K50 Hunter como base. Já existem conversas sobre mais modelos com raízes chinesas.
- A K50 Hunter é uma híbrida com extensor de autonomia, com bateria de 31 kWh, dois motores elétricos e tração 4x4.
- A autonomia total declarada é de 1.031 km.
- O motor a gasolina turbo de 2,0 litros não move as rodas diretamente: atua como gerador para recarregar a bateria.
Foco no comprador tradicional de picapes
Não se deve esperar uma versão com extensor de autonomia tão cedo. A Mazda Austrália indicou que a BT-50 continuará focada no comprador tradicional, em vez de tentar atrair o público dos híbridos voltados ao estilo de vida. A estratégia é ficar próxima de quem realmente usa a picape para rebocar, transportar carga e enfrentar trechos fora de estrada.
Por isso, o diesel continua sendo a opção mais provável para a próxima BT-50, ao menos no lançamento. A Mazda não descarta eletrificação para sempre, mas não há planos imediatos para uma versão elétrica a bateria ou híbrida plug-in. A BT-50 atual não vai desaparecer de imediato.
Quase um século de veículos de carga
A ideia de uma picape Mazda pode surpreender quem associa a marca apenas ao MX-5 e a crossovers de linhas elegantes, mas a tradição é longa. A empresa fabrica veículos de carga de quatro rodas desde o fim dos anos 1950. Seu primeiro veículo foi um caminhão de três rodas, o Type-DA, lançado em 1931.
Para o mercado brasileiro, a notícia reforça que as picapes médias seguem como segmento estratégico, mesmo para marcas mais associadas a outros tipos de carro. Se a Mazda mantiver a parceria com a Isuzu, a nova BT-50 ficará próxima da próxima D-Max, que tem parentesco com a Chevrolet S10. Já a eventual aproximação com a Changan mostra que a influência chinesa pode chegar também às picapes.
