terça-feira, 6 de outubro de 2026

FedEx encomenda 2.000 caminhões elétricos da Harbinger e projeta economizar até R$ 4,176 bilhões em combustível em 20 anos

A FedEx fez uma das maiores apostas já vistas em caminhões elétricos. A empresa encomendou 2.000 unidades da startup americana Harbinger, em um negócio avaliado em mais de US$ 300 milhões (R$ 1,566 bilhão). Segundo a fabricante, a economia com combustível ao longo da vida útil dos veículos pode chegar a cerca de US$ 800 milhões (R$ 4,176 bilhões), caso as projeções se confirmem.

Um dos maiores pedidos firmes do segmento

O acordo é considerado uma das maiores encomendas firmes já realizadas envolvendo caminhões elétricos médios ou pesados. Também é o maior contrato da história da Harbinger.

A compra faz parte do objetivo da FedEx de eletrificar completamente sua frota operacional até 2040, substituindo gradualmente os veículos movidos a diesel.

Os modelos encomendados pertencem às Classes 5 e 6 do mercado americano. Eles usarão carrocerias fechadas, adaptadas às operações de entregas da FedEx.

Como chegam as contas da economia

A Harbinger calcula que cada caminhão poderá reduzir os gastos anuais com combustível em aproximadamente US$ 20.000 (R$ 104.400), em comparação com um equivalente a diesel. A fabricante também afirma ter desenvolvido seus veículos para permanecerem em operação por cerca de 20 anos.

  • Com os 2.000 caminhões, a economia anual poderia chegar a US$ 40 milhões, se os números previstos forem confirmados.
  • Ao longo de duas décadas, isso representaria aproximadamente US$ 800 milhões (R$ 4,176 bilhões) em gastos evitados somente com combustível.
  • O valor equivale a mais de duas vezes e meia o investimento inicial divulgado.

Esses números são projeções da fabricante, não resultados já medidos na operação da FedEx.

Por que esse tipo de veículo favorece a eletrificação

John Harris, cofundador e CEO da Harbinger, afirma que experiências anteriores permitiram à FedEx avaliar diretamente o desempenho e as vantagens econômicas dos veículos. Segundo ele, a encomenda mostra que existe justificativa financeira para usar elétricos em operações de grande escala no transporte comercial.

Paul Melander, vice-presidente sênior de Segurança e Transporte da FedEx, afirma que eletrificar uma frota dessa dimensão exige veículos capazes de suportar operações intensivas todos os dias. Melander também integra o conselho de administração da Harbinger. Ele destaca que a redução dos gastos operacionais precisa acompanhar os objetivos ambientais da companhia.

Veículos de entrega têm características favoráveis ao uso elétrico, principalmente quando cumprem trajetos relativamente previsíveis e retornam diariamente à mesma base. Esse padrão facilita a instalação de carregadores nos centros logísticos e permite fazer boa parte da recarga nos períodos em que os veículos estão parados. O espaço disponível no chassi também facilita a instalação de grandes baterias sem comprometer tanto a área destinada à carga.

Impacto ambiental e o que isso significa para o Brasil

Além da economia financeira, a substituição dos modelos a diesel deverá reduzir de forma considerável as emissões associadas à operação da empresa. A estimativa apresentada é de que os 2.000 caminhões elétricos possam evitar mais de 1,7 milhão de toneladas de CO2 durante suas vidas úteis projetadas.

Para o mercado brasileiro, o caso mostra o argumento que grandes frotas comerciais passaram a considerar: a eletrificação avaliada também pelo custo operacional, e não só pela agenda ambiental. Rotas previsíveis, retorno diário à base e recarga nos centros logísticos são condições que operações de entrega de grande porte também podem ter por aqui. Resta saber se as projeções de economia da Harbinger se confirmarão na prática.

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