O Jeep Recon elétrico mostrou que sua proposta radical para o uso fora do asfalto cobra um preço importante na autonomia em rodovias. Em teste da Car and Driver, o SUV percorreu 257 km em velocidade de estrada. A estimativa oficial da EPA, na configuração Recon Moab 2026, é de aproximadamente 357 km. São cerca de 100 km a menos que o número divulgado.
O que a Jeep promete com o Recon
O SUV chegou ao mercado americano neste verão por US$ 66.995 (R$ 349.700). Traz portas removíveis e números de potência muito elevados. A Jeep o apresenta como o primeiro e único SUV totalmente elétrico com certificação Trail Rated, com potência anunciada de até 670 cv. Segundo a fabricante, ele também seria o único SUV com essa potência disponível por menos de US$ 70.000 (R$ 365.400) nos Estados Unidos.
O modelo usa dois motores elétricos e tração integral. A potência combinada também é citada em 650 cv, com torque de aproximadamente 85,7 kgfm. A primeira configuração oferecida, a Recon Moab, tem um motor elétrico traseiro atualizado, com relação final de 15:1 para controlar melhor a entrega de torque.
Outro destaque é a carroceria. A Jeep afirma que o Recon é o único EV com portas e vidros traseiros removíveis. Ele também tem vidro removível na tampa traseira, o que reforça a tentativa da marca de levar parte da experiência do Wrangler para um SUV elétrico.
O resultado do teste de autonomia
Os 257 km foram obtidos mesmo com uma bateria relativamente grande, de 94 kWh. A eficiência registrada foi de aproximadamente 2,7 km por kWh, o que coloca o Recon entre os EVs menos eficientes já avaliados pela publicação. A Car and Driver já submeteu mais de 100 modelos elétricos ao mesmo procedimento, o que dá peso à comparação.
O GMC Hummer EV Edition 1 de 2022 foi além, com aproximadamente 467 km no mesmo teste. O Hummer pesa cerca de 4.372 kg e usa uma bateria de 205 kWh, com eficiência aproximada de 2,3 km por kWh. O Recon pesa aproximadamente 2.808 kg, quase 1.600 kg a menos que o Hummer usado como referência.
A comparação fica ainda mais desfavorável com o Jeep Wagoneer S, construído sobre a mesma plataforma STLA Large. Também com bateria de 94 kWh, ele percorreu cerca de 451 km em rodovia. Sua eficiência ficou próxima de 4,8 km por kWh, praticamente o dobro da do Recon nas mesmas condições.
Por que o Recon gasta mais energia
A explicação está principalmente na proposta de cada modelo. O Wagoneer S foi pensado para cidades e rodovias, com maior preocupação com aerodinâmica. O Recon segue uma filosofia mais próxima do Wrangler. Ele prioriza a capacidade fora do asfalto, a altura livre do solo e os pneus de grandes dimensões.
- Pneus de 33 polegadas;
- Altura livre do solo de aproximadamente 23 cm;
- Maior resistência ao rolamento e aerodinâmica prejudicada, fatores particularmente importantes para o consumo em velocidades maiores.
Esses atributos aumentam a capacidade em terrenos difíceis. A autonomia fora do asfalto pode se comportar de forma diferente, porque em baixas velocidades a influência aerodinâmica diminui bastante em relação ao uso rodoviário.
O que isso significa para o mercado brasileiro
O Recon é vendido no mercado americano e a matéria-fonte não trata de lançamento no Brasil. Ainda assim, o caso ilustra um ponto que vale para quem acompanha a eletrificação dos utilitários: a autonomia oficial e o desempenho medido em estrada podem divergir bastante. Isso pesa mais em modelos com foco em off-road, em que as escolhas de projeto custam eficiência em velocidades maiores. O teste mostra que o Recon, ao apostar em portas removíveis, pneus grandes e muita altura livre, entrega menos quilômetros na estrada do que o número oficial.
