terça-feira, 6 de outubro de 2026

Clientes pediram, e a Hyundai ouviu: novo Tucson 2027 traz de volta botões e comandos físicos

A Hyundai decidiu recuar em uma tendência que tomou conta dos interiores modernos e voltou a apostar em botões físicos para funções usadas constantemente pelo motorista. O novo Tucson 2027 mantém uma enorme tela central, mas logo abaixo dela aparecem interruptores convencionais e dois comandos giratórios totalmente mecânicos. A marca afirma ter ouvido seus clientes e pretende levar a solução também para outros futuros modelos.

Tela grande, comandos físicos logo abaixo

O interior do novo Tucson combina um display central amplo com botões e comandos giratórios posicionados imediatamente abaixo dele. Segundo a Hyundai, a mudança não é apenas estética: ela preserva controles físicos justamente para as funções que os motoristas mais procuram enquanto dirigem.

O novo sistema multimídia, baseado no Android Automotive, continuará concentrando diversas informações, incluindo recursos de assistência ao motorista, alertas e configurações do veículo. Já o painel de instrumentos utiliza uma tela mais estreita, destinada às informações essenciais, deixando o grande display central como principal interface digital.

O que dizem os executivos da Hyundai

José Muñoz, presidente e CEO da Hyundai Motor Company, destacou pessoalmente a decisão durante a apresentação do novo SUV para a imprensa. Segundo ele, a empresa manteve comandos físicos para as funções mais buscadas durante a condução.

Simon Loasby, vice-presidente sênior e chefe do Hyundai Design Center, também ressaltou a importância dos botões para recursos de uso frequente. Para ele, esses controles ajudam no conforto e na segurança, permitindo que certas funções sejam acionadas de maneira mais intuitiva.

Olabisi Boyle, vice-presidente sênior de Estratégia de Produto e Mobilidade, explicou que comandos repetitivos precisam permitir que o motorista desenvolva memória muscular. Na visão dela, ajustar a temperatura no trânsito é uma tarefa difícil de reproduzir navegando por menus em uma tela. Por isso, os controles de climatização usados durante a condução permanecem como botões reais sob o display central. A executiva destacou ainda que não será necessário acessar menus, usar superfícies hápticas ou desviar a atenção por muito tempo para fazer esses ajustes.

O fato de a mesma mensagem aparecer entre três altos executivos indica que a mudança faz parte de uma estratégia mais ampla da Hyundai para seus próximos interiores. A filosofia já apareceu no Avante vendido na Coreia do Sul, equivalente ao Elantra oferecido em outros mercados, que combina uma grande tela central com praticamente o mesmo conjunto de interruptores físicos do novo Tucson.

Uma tendência que divide as fabricantes

A Hyundai não está sozinha. A Volkswagen também decidiu recuperar botões convencionais depois da forte rejeição aos comandos sensíveis ao toque. Os futuros ID. Polo e ID. Cross usarão mais controles físicos, e o novo ID. Tiguan deverá seguir a mesma direção. A Volvo é outra fabricante que pretende ampliar a presença desses comandos, após enfrentar reclamações relacionadas a interfaces digitais e software.

A Mazda segue caminho diferente: reduziu drasticamente os botões no novo CX-5, concentrando praticamente todas as funções em uma grande tela sensível ao toque. A decisão chama atenção porque a própria marca defendia controles físicos e chegou a usar um comando giratório dedicado para operar o sistema multimídia. Um executivo da Mazda chegou a afirmar que a nova abordagem seria mais segura, contrariando o posicionamento sustentado por anos.

O que muda para o mercado

As telas dificilmente desaparecerão dos carros modernos, já que há inúmeras funções difíceis de acomodar apenas com interruptores e comandos tradicionais. A tendência, porém, aponta para uma combinação das duas soluções: tarefas complexas nas telas e funções frequentes em botões convencionais.

Para o consumidor brasileiro, o movimento sinaliza que a ergonomia ganha peso na hora de projetar e escolher um carro. Se o novo Tucson e outros modelos que seguirem essa filosofia chegarem ao país, quem valoriza praticidade ao volante terá um argumento a mais na comparação entre os SUVs do segmento.

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