A Stellantis vai manter parada por mais três semanas consecutivas a unidade de Windsor, no Canadá, a partir de 19 de outubro. A pausa atinge cerca de 6 mil funcionários e ocorre em meio a negociações trabalhistas travadas e à queda nas vendas de minivans no mercado canadense: Chrysler Pacifica e Grand Caravan, somadas, recuaram 10% no terceiro trimestre.
Nova interrupção prolonga o tempo sem atividade
O anúncio foi feito em 2 de outubro por James Stewart, presidente do sindicato Unifor Local 444, após receber a comunicação oficial da empresa. Segundo ele, os trabalhadores estavam voltando de duas semanas sem atividade e agora enfrentarão outro período prolongado longe das linhas de montagem.
A previsão é que as operações fiquem suspensas nas semanas de 19 e 26 de outubro e também na semana iniciada em 2 de novembro. O retorno deve acontecer por volta de 9 de novembro, de acordo com as informações que o representante sindical divulgou nas redes sociais. Stewart afirmou que o novo período representa mais tempo de inatividade dentro do sistema, algo que o sindicato não queria receber como notícia.
A porta-voz da Stellantis, LouAnn Gosselin, disse que a empresa continua avaliando e ajustando suas operações de acordo com as condições atuais do mercado. Entre os fatores observados estão a demanda dos consumidores e os efeitos das tarifas, que seguem influenciando decisões sobre o ritmo das fábricas.
O que Windsor produz e como cada modelo vai nas vendas
- A planta emprega aproximadamente 6.000 pessoas, distribuídas em três turnos.
- Ali são montadas as minivans Chrysler Pacifica, Chrysler Grand Caravan e Chrysler Voyager, além do Dodge Charger, modelo de perfil esportivo da companhia.
- No terceiro trimestre, as vendas combinadas de Pacifica e Grand Caravan no Canadá caíram 10%, para 3.452 unidades.
- O Dodge Charger foi na direção oposta: 521 unidades vendidas no mesmo período, alta de 142%.
Os números mostram desempenhos bem diferentes entre os modelos produzidos na mesma fábrica, com as minivans sob pressão e o esportivo em crescimento.
Impasse com o Unifor e o futuro de Brampton
A nova paralisação acontece enquanto Stellantis e Unifor seguem sem acordo, após as negociações terem sido interrompidas em 11 de setembro. O principal ponto de conflito é o plano da fabricante de vender sua unidade de Brampton para a empresa de defesa Roshel.
A planta de Brampton não produz veículos desde o fim de 2023, quando parou para uma readequação industrial. O plano original previa preparar a instalação para fabricar a nova geração do Jeep Compass, mas a Stellantis interrompeu o projeto e transferiu o programa para os Estados Unidos, o que deixou o futuro da unidade canadense ainda mais incerto para trabalhadores e representantes sindicais.
Em 17 de setembro, o CEO da Stellantis, Trevor Longley, informou aos funcionários que a empresa analisou diferentes alternativas para Brampton. Segundo uma carta obtida pelo Automotive News Canada, nenhuma delas apresentou justificativa empresarial sustentável para manter as operações no local. Longley citou condições de mercado e comércio, exigências regulatórias difíceis e pressões relacionadas à acessibilidade dos veículos.
O Unifor, que representa aproximadamente 2.200 trabalhadores de Brampton, rejeita a proposta de venda. A entidade pressiona o governo federal canadense a intervir nas discussões e a incentivar a Stellantis a destinar um novo produto à instalação.
O que isso significa para o mercado brasileiro
O caso é canadense, mas ilustra pressões que afetam fabricantes globais: demanda desigual entre segmentos, tarifas e decisões de produção que mudam de país. Para o consumidor brasileiro, o episódio serve de referência sobre como a Stellantis ajusta o ritmo de suas fábricas conforme as condições de mercado, embora a fonte não traga informações sobre impacto direto no Brasil.
