A Leapmotor apresentou a terceira geração de sua tecnologia cell-to-chassis, batizada de CTC 3.0, que traz uma mudança relevante na arquitetura elétrica dos veículos: a eliminação da tradicional bateria de 12V. Na nova solução, as células e os módulos da bateria principal passam a atender simultaneamente o sistema de alta tensão e o circuito de baixa tensão, função que até então dependia de uma bateria auxiliar separada.
O que muda na arquitetura CTC 3.0
O conceito de cell-to-chassis (CTC) consiste em integrar as células da bateria diretamente à estrutura do veículo, em vez de tratá-la como um componente isolado alojado sob a carroceria. Com a chegada da terceira geração, a Leapmotor amplia essa integração para além da função de tração: os mesmos módulos responsáveis por alimentar o sistema de alta tensão do carro passam a suprir também o circuito de baixa tensão, que tradicionalmente ficava a cargo da bateria de 12V.
Essa unificação representa uma evolução em relação às gerações anteriores da tecnologia, nas quais a bateria de alta tensão e o sistema auxiliar de 12V ainda operavam como circuitos distintos dentro do veículo.
Por que eliminar a bateria de 12V
A bateria de 12V é, historicamente, um dos componentes mais antigos e menos alterados da arquitetura automotiva, presente inclusive em veículos elétricos como um sistema auxiliar herdado dos carros a combustão. Ao fazer com que as próprias células da bateria principal assumam essa função, a Leapmotor consegue simplificar a arquitetura elétrica do veículo, reduzindo a necessidade de um componente independente dedicado exclusivamente ao circuito de baixa tensão.
Trata-se de um movimento que acompanha a lógica geral por trás das tecnologias cell-to-chassis: integrar cada vez mais funções à estrutura da bateria e do próprio chassi, em vez de manter sistemas paralelos e redundantes. Com a CTC 3.0, a Leapmotor leva esse princípio adiante ao incorporar também o gerenciamento da baixa tensão, que antes ficava fora do escopo da bateria integrada.
O que isso significa para o setor
A eliminação de um componente historicamente presente em praticamente todos os veículos — inclusive nos elétricos mais recentes — é um indicativo de como as montadoras chinesas têm investido em arquiteturas cada vez mais integradas para seus modelos. A Leapmotor, ao apresentar a CTC 3.0, sinaliza que a disputa tecnológica entre fabricantes chinesas de elétricos passou a incluir não apenas autonomia e desempenho, mas também a forma como os sistemas internos do veículo são projetados e simplificados.
Para o mercado brasileiro, que tem recebido um número crescente de marcas chinesas e observado de perto os avanços tecnológicos desse segmento, iniciativas como a CTC 3.0 reforçam a tendência de que arquiteturas elétricas mais simples e integradas se tornem um diferencial competitivo entre os fabricantes que buscam espaço por aqui. Ainda não há detalhes sobre quando ou em quais modelos essa tecnologia será aplicada, mas o anúncio já indica a direção que a Leapmotor pretende seguir em seus próximos lançamentos.
