O comando de Zeekr e da ainda inédita Lynk & Co no Brasil vai mudar de mãos pela segunda vez neste ano. A Renault Geely do Brasil passará a deter toda a estrutura operacional das duas marcas chinesas no país, seis meses depois de a matriz na China ter assumido o controle direto das operações, em março. A informação foi publicada pelo jornalista Jorge Moraes e confirmada pela Autoesporte.
Transição já avança na prática
A mudança ainda está em fase de conclusão, mas já acontece no dia a dia. Parte dos processos operacionais de homologação, testes de protótipos e validação de novos modelos é conduzida no complexo industrial de São José dos Pinhais (PR), onde fica a fábrica do grupo.
Segundo a Autoesporte, a tendência é que Ariel Montenegro, presidente da Renault Geely do Brasil, também seja anunciado como liderança das duas marcas.
Zeekr e Lynk & Co: dois momentos distintos
A Zeekr estreou no Brasil em 2024 sob o controle de um grupo de concessionários, mirando o mercado premium ocupado por Audi, BMW e Mercedes-Benz. A marca foi fundada pela Geely em 2021 para enfrentar o avanço da Tesla na China e divide desenvolvimento e plataformas com a Volvo, que integra o grupo chinês desde 2010. A operação da marca sueca no Brasil, porém, segue independente.
Já a Lynk & Co nasceu em 2016, com carros mais simples sobre as mesmas bases da Volvo. A marca ainda não teve lançamento oficial no país: o Lynk & Co 01 está em fase de testes por aqui.
A parceria entre Renault e Geely no Brasil
A Renault Geely do Brasil foi criada em novembro de 2025, quando a Geely comprou 26,4% da operação da Renault no país. O negócio deu à chinesa acesso à fábrica paranaense, onde serão produzidos os SUVs EX2 e EX5, além de modelos Renault baseados em plataformas chinesas. A francesa segue como detentora do operacional de vendas do grupo.
Não é a primeira sociedade entre as duas. Em 2024, Renault e Geely se tornaram sócias na Horse, empresa responsável pela produção dos motores dos carros da marca francesa em São José dos Pinhais.
O arranjo brasileiro repete o que as duas empresas já praticam na Coreia do Sul, onde a Geely detém 34% da operação da Renault. É de lá que sai o Renault Koleos lançado no Brasil no início deste ano, produzido em Busan e vendido no mercado asiático como Geely Moujaro.
A fábrica de São José dos Pinhais
Com o capital chinês, a Renault espera elevar a produção e a competitividade da unidade paranaense, que hoje fabrica Kwid, Kardian, Duster, Oroch, Boreal e Master e tem capacidade instalada para 380 mil veículos por ano, entre modelos de passeio e comerciais.
Para o mercado brasileiro, a mudança indica uma integração cada vez mais próxima entre Renault e Geely, com a operação local concentrando em um mesmo grupo a estrutura de Zeekr e Lynk & Co. Se confirmada a liderança de Ariel Montenegro, as duas marcas passam a responder ao mesmo comando da joint venture, o que pode dar mais clareza à chegada da Lynk & Co e à estratégia da Zeekr no segmento premium.
