quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Depois do Brasil, ladrões da Inglaterra estão roubando emblemas da Volkswagen para revender componente escondido

Depois do Brasil, ladrões da Inglaterra estão roubando emblemas da Volkswagen para revender componente escondido

O Brasil parece ter servido de laboratório involuntário para uma modalidade de furto que agora se espalha pelo exterior: depois da onda registrada aqui no fim de 2023, quando bandidos descobriram que o logotipo dianteiro da Volkswagen de Nivus e T-Cross escondia um radar de milhares de reais, criminosos do Reino Unido chegaram à mesma conclusão: arrancar a peça em cinco segundos pode ser um negócio lucrativo.

A Polícia Metropolitana da capital inglesa agora investiga cerca de 70 casos registrados entre 15 e 19 de julho em 29 ruas do sudeste de Londres. Assim como no Brasil, em muitos modelos da marca no Reino Unido, o emblema não é adorno: funciona como janela para o radar frontal que alimenta o controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e a frenagem automática de emergência (AEB). Como as ondas do sensor não atravessam grades metálicas, o módulo ficou atrás do logotipo.

Imagens de câmeras de segurança que circulam pela imprensa local mostram dois homens em bicicletas de aluguel removendo a peça em menos de cinco segundos. Uma das vítimas, dono de um Tiguan, disse ao The Times que o prejuízo chega perto de 2 mil libras. Moradores suspeitam do uso de drones para mapear alvos, hipótese não confirmada pela polícia.

O precedente brasileiro

No Brasil, a principal vítima foi o Nivus, que trazia ACC de série desde o lançamento, em 2020. T-Cross, Taos e Virtus também foram alvos. As reclamações do fim de 2023 apontavam prejuízo próximo de R$ 12 mil: cerca de R$ 1.600 pelo emblema, R$ 9.000 pelo radar, R$ 700 de mão de obra elétrica e R$ 250 pela recalibração. No mercado paralelo, a peça saía por valores entre R$ 300 e R$ 600.

A primeira reação da Volkswagen foi classificar o caso como questão de segurança pública, e não como vício de produto. A montadora também desaconselhou a colagem do emblema, solução caseira que viralizou nas redes, sob o argumento de que o reforço poderia prejudicar o ACC. O tom mudou no início de 2024: segundo a Associação Brasileira dos Distribuidores Volkswagen (Assobrav), o módulo passou a custar R$ 1.181 e o emblema, R$ 197, quedas de 92% e 90%, que desinibiram a revenda paralela.

Parafusos, travas e o exemplo da Audi

A resposta de projeto veio na linha 2025 do T-Cross: o radar passou a ser parafusado, em vez de apenas encaixado, as travas do emblema foram reforçadas para quebrar a peça em caso de remoção forçada e o acesso ao conjunto ficou restrito à parte interna do carro. O Nivus reestilizado recebeu um dispositivo antifurto, cujos detalhes a marca preferiu não revelar. A Audi havia adotado outra via: passou a dar de graça a grade inferior dianteira de A3, A4 e Q3 aos clientes furtados, esvaziando o comércio clandestino.

A montadora afirma que os modelos mais recentes posicionam o radar longe do emblema. Para quem tem as gerações anteriores de Golf, Tiguan, Jetta, Passat, T-Roc, ID.4 e ID.5, a rotina em Londres passou a incluir uma checagem: olhar a grade antes de dar a partida.

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