Um McLaren F1 GTR que passou 25 anos na garagem de Nick Mason, baterista do Pink Floyd, será leiloado na Monterey Car Week com estimativa acima de US$ 35 milhões. O valor é cerca de US$ 10 milhões superior ao recorde atual da marca. O chassi 10R será oferecido pela RM Sotheby's entre 13 e 15 de agosto e, se atingir a previsão, será o McLaren mais caro já vendido em leilão público e o carro britânico mais valioso da história.
O recorde que está em jogo
A marca hoje registra US$ 25,3 milhões, valor pago em dezembro de 2025, em Abu Dhabi, por um F1 de rua de 1994. O 10R, porém, se distingue por mais do que o preço esperado: é o primeiro dos nove exemplares construídos na especificação 1996 e um dos apenas dois protótipos de carroceria curta que a McLaren manteve consigo. O outro é o 01R, vencedor absoluto das 24 Horas de Le Mans de 1995.
Do F1 de rua ao GTR de corrida
Apresentado em 1992 e projetado por Gordon Murray, o McLaren F1 é considerado um dos maiores supercarros de todos os tempos. Combina motor BMW V12 6.1 com 627 cv, câmbio manual de seis marchas e tração traseira. Em 1998, o protótipo XP5 atingiu 386 km/h e estabeleceu o recorde de velocidade para um carro de produção. Foram 106 unidades no total.
Embora não tenha sido concebido para competir, o desempenho do F1 levou a McLaren a desenvolver uma versão de corrida a pedido de clientes. Nasceu o F1 GTR, produzido em 28 unidades ao longo de três especificações, que venceu Le Mans em 1995 na estreia. Segundo a casa de leilões, foi o último carro de corrida derivado diretamente de um superesportivo de rua a ganhar a prova.
A versão 1996 foi criada para enfrentar rivais mais especializados, como o Porsche 911 GT1. Recebeu aerodinâmica revista, novo divisor de ar dianteiro e mais corte de peso. Os restritores de ar exigidos pelo regulamento limitavam o V12 a 599 cv.
A trajetória do chassi 10R
O 10R nunca disputou uma corrida. Rodou em Le Mans em 1996 apenas nos testes, e a prova ficou com o irmão de chassi 11R. A McLaren usou o carro para desenvolvimento e promoção antes de convertê-lo para uso nas ruas: os restritores saíram, a altura livre subiu e ele ganhou silenciadores. Em 1999, foi vendido a Mason.
Também é o único F1 GTR com pintura criada pela fábrica, em vermelho e amarelo inspirados na arte pop dos anos 1990, o que lhe rendeu o apelido de Pop Art F1.
- Em 2017, Mason perdeu o controle durante uma demonstração no Goodwood Members' Meeting e bateu em um muro de pneus.
- O restauro ficou com Dean Lanzante, filho de Paul Lanzante, que chefiou a equipe vencedora de Le Mans em 1995 com o 01R.
- Mason vendeu o carro em negociação privada no primeiro semestre de 2024, e é o novo proprietário quem o leva ao martelo.
O que isso significa para o mercado
O leilão do 10R mostra o nível que os clássicos de colecionador alcançaram no mercado internacional, com um único exemplar projetado para superar em cerca de US$ 10 milhões o recorde da marca. Para o público brasileiro, trata-se de um indicador do apetite por carros com história de competição e proveniência única, e o resultado do leilão vai dizer se a estimativa acima de US$ 35 milhões se confirma.
