Desde 1º de agosto, a gasolina comum vendida no Brasil passou a ter 32% de etanol anidro na composição, mudança que preocupa donos de carros a combustão, mas passa longe da rotina de quem dirige um elétrico.
Enquanto motoristas de veículos a gasolina monitoram riscos ao motor, donos de modelos como o BYD Dolphin Mini seguem rodando por menos de R$ 10 a cada 100 km rodados.
O que é a gasolina E32 e por que ela mudou
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou a Resolução CNPE nº 9/2026, que estabelece, em caráter temporário, a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina comum e na gasolina comum aditivada — o chamado E32.
A medida vale por até 180 dias, podendo ser prorrogada uma única vez por igual período, e substitui o percentual anterior de 30% (E30).
A gasolina premium não foi afetada pela mudança e continua com 25% de etanol (E25).

A octanagem da gasolina (RON) permanece em 94,0, conforme já previa a regulamentação anterior.
Quais são os riscos para quem tem carro a gasolina
Especialistas apontam que o aumento do percentual de etanol pode afetar componentes sensíveis dos motores, especialmente em veículos mais antigos ou importados, não calibrados para lidar com tanto álcool na mistura.
Entre os principais riscos estão:
- Carbonização dos bicos injetores.
- Corrosão acelerada de mangueiras, filtros e retentores de combustível.
- Redução da vida útil do catalisador.
- Dificuldade de partida a frio e marcha lenta irregular.
- Perda perceptível de potência nas acelerações.
Como o etanol tem menor poder calorífico que a gasolina, o consumo em km/l também tende a aumentar, o que pode anular qualquer economia inicial na hora de abastecer.
Gasolina premium: uma alternativa, mas com ressalvas
Para quem tem carro exclusivamente a gasolina e quer reduzir os riscos, a recomendação de especialistas é optar pela gasolina premium, que mantém a proporção de 25% de etanol.
O combustível preserva melhor componentes sensíveis, como a sonda lambda e o catalisador, mas tem um preço mais alto e menor disponibilidade nos postos, o que limita essa opção no dia a dia de muitos motoristas.
Por que os donos de BYD elétricos não se preocupam com a mudança
Enquanto a discussão sobre a E32 se espalha entre motoristas de carros a combustão, quem dirige um veículo 100% elétrico simplesmente não é afetado pela mudança na composição da gasolina.
É o caso dos donos do BYD Dolphin Mini e do BYD Dolphin, dois dos elétricos mais vendidos do Brasil, que dependem exclusivamente de energia elétrica para rodar.
Quanto custa rodar com um elétrico da BYD
O Dolphin Mini, por exemplo, tem eficiência energética de 0,41 MJ/km e, considerando uma tarifa de R$ 0,85 por kWh, o custo de rodagem fica abaixo de R$ 0,09 por quilômetro.
Na prática, isso significa que rodar 100 km custa menos de R$ 10 — um valor que não sofre qualquer interferência das mudanças na composição da gasolina ou do etanol.
O modelo utiliza a bateria Blade, com tecnologia LFP (Lítio-Ferro-Fosfato) de 38 kWh, e tem autonomia de 280 km segundo os padrões do Inmetro.
Já o BYD Dolphin, hatch elétrico um pouco maior, também roda sobre a e-Platform 3.0 da marca, com proposta semelhante de baixo custo de manutenção e rodagem.
O prazo de transição para o novo combustível
A ANP também definiu prazos diferenciados para a fiscalização entrar em vigor, dando tempo para que a cadeia de abastecimento se adapte ao novo percentual de etanol.
Distribuidoras têm 15 dias nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, e 30 dias na Região Norte, para se ajustar.
Já os postos revendedores têm 30 dias nessas mesmas regiões, e 60 dias no Norte — prazos mais longos que consideram as particularidades logísticas da região.
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