terça-feira, 4 de agosto de 2026

Procura pela primeira CNH cresce 222%, enquanto emissões avançam 15% em 2026

Procura pela primeira CNH cresce 222%, enquanto emissões avançam 15% em 2026

A vontade dos brasileiros de tirar a carteira de motorista cresceu em 2026.

Depois que o governo federal flexibilizou as regras e acabou com a obrigatoriedade da autoescola para iniciar o processo, a procura pela primeira habilitação disparou 222% nos primeiros sete meses do ano.

Mas os números revelam um descompasso interessante: enquanto os pedidos deram um salto gigantesco, a emissão efetiva das carteiras cresceu bem menos, apenas 15%.

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O salto de 222% nos pedidos da primeira CNH

Segundo dados do Ministério dos Transportes divulgados nesta segunda-feira (3), a procura pela primeira Carteira Nacional de Habilitação cresceu 222% nos primeiros sete meses de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre janeiro e julho, foram protocolados mais de 6,5 milhões de requerimentos para a primeira habilitação.

O crescimento é atribuído diretamente à decisão do governo federal, tomada no fim de 2025, de encerrar a exigência de frequentar autoescola para dar início ao processo de habilitação.

A emissão da primeira CNH cresceu bem menos: só 15%

Apesar da avalanche de pedidos, a quantidade de carteiras efetivamente emitidas ficou muito aquém do salto na procura.

Apenas 1,7 milhão de pessoas concluíram todas as etapas e emitiram o documento no período, um crescimento de 15% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Ou seja, muita gente entrou na fila, mas uma parcela bem menor chegou até o fim. Essa diferença entre a explosão de pedidos e o avanço modesto nas emissões é o ponto central da história.

Por que a diferença é tão grande?

O próprio ministério considera esse descompasso esperado, e a explicação está nas etapas que continuam obrigatórias. Mesmo com a flexibilização, tirar a CNH não virou um processo instantâneo.

O candidato ainda precisa passar por exames médico e psicológico, concluir o curso teórico, realizar as aulas práticas e ser aprovado no exame final.

Burocracia nos Detrans

Se a procura disparou e a burocracia por etapas explica parte do atraso, há ainda um obstáculo estrutural.

O desafio deste momento está na capacidade dos Detrans de transformar essa demanda represada em habilitações efetivamente emitidas.

O que mudou nas regras?

As alterações que provocaram essa corrida vão além do fim da obrigatoriedade da autoescola.

O exame prático também foi revisto, com uma reclassificação do sistema de faltas e a flexibilização de manobras que antes reprovavam o candidato de forma automática.

Além disso, o processo ganhou opções mais acessíveis financeiramente. O programa também mantém a CNH Social, voltada a pessoas de baixa renda, como alternativa para reduzir o custo do processo.

A combinação de menos exigências presenciais e custos menores é apontada como o motor por trás do aumento expressivo na demanda.

Um público enorme para regularizar

O crescimento acelerado tem um pano de fundo relevante: a quantidade de brasileiros que dirigem sem habilitação.

Estimativas do setor apontam que milhões de pessoas conduzem veículos sem CNH no país, e uma das principais expectativas do programa é justamente acelerar a regularização desse público, trazendo esses motoristas para dentro da legalidade.

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