sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Deputado apresenta projeto que libera a cama gaúcha em caminhões e proíbe multa para quem adaptou a cabine para dormir

As adaptações feitas na cabine de caminhões para ampliar o espaço de descanso, conhecidas nas estradas como "cama gaúcha", viraram alvo de um projeto de lei na Câmara dos Deputados. O texto libera essas modificações e proíbe multas aplicadas só por causa delas. A proposta, de autoria do deputado federal Delegado Caveira (PL-PA), busca dar segurança jurídica aos caminhoneiros e uniformizar a fiscalização no país.

O que prevê o PL 3616/2026

O PL 3616/2026 altera o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) para regulamentar essas mudanças e criar um procedimento simplificado de regularização. O texto autoriza instalar, ampliar, reduzir ou remover o compartimento destinado exclusivamente ao repouso do motorista, sem que isso seja considerado alteração das características originais do veículo.

Para isso, a adaptação precisa preservar:

  • a estrutura e a segurança do caminhão;
  • os equipamentos obrigatórios;
  • a visibilidade;
  • os limites de peso e dimensões;
  • a identificação do veículo.

Cumpridos esses requisitos, fica proibido multar o caminhoneiro apenas pela modificação. Também fica vedado exigir a volta às características de fábrica como condição para circular, licenciar ou transferir o veículo.

Por que a proposta surgiu

O projeto chega depois de relatos de caminhoneiros autuados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), sobretudo no Rio Grande do Sul, onde a adaptação também é chamada de "bodinho". Segundo a PRF, o problema não é a cama em si: a lei não cita a cama gaúcha pelo nome. O que gera autuação são as alterações feitas para instalá-la, como a retirada do banco do passageiro e dos cintos, o que muda a lotação registrada no documento do caminhão.

Hoje, qualquer mudança nas características de fábrica exige autorização prévia do Detran e inspeção para emissão do CSV (Certificado de Segurança Veicular). Na justificativa, o deputado afirma que o dono do caminhão não pode ser tratado automaticamente como infrator por adaptar o espaço de descanso.

Tramitação

Apresentado em 9 de julho, o projeto aguarda relator na Comissão de Viação e Transportes e ainda passará pela Comissão de Constituição e Justiça. Como tramita em caráter conclusivo, pode seguir direto para o Senado se for aprovado nas duas comissões, sem passar pelo plenário da Câmara, salvo recurso. Depois, depende de sanção presidencial.

Para o mercado brasileiro de transporte rodoviário de cargas, a discussão toca um ponto sensível do dia a dia de quem vive na estrada: como conciliar o descanso do motorista com as regras de regularização veicular. Se avançar, o texto pode trazer regras mais claras e uniformes para a fiscalização em todo o país, mas ainda há um longo caminho legislativo pela frente.

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