A Yamaha R7 chega às concessionárias em novembro pelo preço público sugerido de R$ 60.690, R$ 5.900 a mais que a versão naked, a MT-07. A diferença equivale a 10,8% e é a mais alta entre os pares de naked e carenada do mercado, segundo levantamento do AutoPapo.
Mesma base mecânica
As duas motos usam o motor bicilíndrico CP2, com virabrequim crossplane, que entrega 73,4 cv a 8.750 rpm e 6,9 kgf.m a 6.500 rpm. Os números são idênticos nos dois modelos, assim como o câmbio de seis marchas com embreagem assistida e deslizante.
A ciclística também se repete em vários pontos:
- garfo dianteiro invertido de 41 mm;
- dois discos de 298 mm na frente e disco de 245 mm atrás, com ABS;
- rodas SpinForged, mais leves que rodas fundidas comuns.
Nos equipamentos, a coincidência continua: painel TFT colorido de 5 polegadas, com conexão ao celular e navegação pelo aplicativo Garmin StreetCross, iluminação full-LED e controle de cruzeiro. Ambas são produzidas em Manaus (AM) e têm garantia de quatro anos, com revisões a preço fixo.
Onde a R7 se diferencia
A diferença mais visível é a carenagem completa, com entrada de ar central em formato de "M" e spoiler inferior redesenhado. A ergonomia também muda: na R7, o assento fica a 830 mm do chão, contra 805 mm na MT-07, e a posição de pilotagem é mais esportiva. A esportiva pesa 189 kg em ordem de marcha, 6 kg a mais que a naked, e o tanque leva 14 litros, contra 13,6 litros.
A diferença que mais pesa no preço, porém, é a eletrônica. A MT-07 oferece controle de tração e embreagem assistida. Já a R7 usa uma central inercial (IMU) de seis eixos, derivada da superesportiva R1, que monitora em tempo real a inclinação e os movimentos da moto. Com ela, a esportiva soma:
- controle de tração com três níveis;
- controle de deslizamento e de empinada;
- controle de frenagem e gerenciamento de freio motor;
- controle de largada;
- quickshifter bidirecional, ABS traseiro desligável para uso em pista e modo Track no painel, que mostra tempos de volta.
Esses itens não aparecem na lista de equipamentos da MT-07 nacional. Ou seja, os R$ 5.900 não pagam só a carenagem, mas também um pacote eletrônico voltado a track days.
Uma diferença ampliada pela própria Yamaha
A distância entre as duas cresceu por decisão da fabricante. Em maio, a Yamaha reduziu o preço da MT-07 de R$ 57.990 para R$ 54.790. Com o valor antigo, a R7 sairia só R$ 2.700 mais cara, diferença de 4,7%. Após o corte, a distância passou a ser de 10,8%.
Considerando também o par MT-07 e R7, a média de diferença entre os pares analisados é de 7,8%, o que deixa a R7 3 pontos percentuais acima da média. A própria Yamaha cobra proporcionalmente mais pela carenagem no par de 700 cm³ do que no de 321 cm³, em que a R3 sai 7,8% mais cara que a MT-03. A comparação tem limites: em vários pares, a versão carenada também muda suspensão, eletrônica ou ergonomia, e não apenas a carroceria.
O que dizem os especialistas
Segundo Luiz Vicente F. de Mello, da Bright Consulting, especialista no segmento de motos, a estratégia de preços pode estar ligada à oferta e à demanda. Para ele, o modelo é muito semelhante à MT-07, que já é fabricada no país, o que facilita e barateia a produção. O consultor avalia que, se a marca percebe que pode vender mais do que conseguirá entregar, elevar o preço restringe o número de compradores e evita deixar o cliente sem o produto.
A Yamaha também conta com uma rede de concessionárias sólida e um nome de peso no mercado.
Para o mercado brasileiro, a R7 entra como a primeira esportiva da linha R de média motorização da marca no país. A Yamaha já vendeu a superesportiva R1 por aqui, mas nunca ofereceu a R6. Com bastante tecnologia e um mercado relativamente aberto a explorar, a R7 terá seu ritmo ditado pelos preços praticados nas lojas, enquanto a MT-07 ficou mais atraente para quem compara os dois modelos na concessionária.
