A General Motors revisou uma decisão histórica e vai apostar nos carros híbridos, tecnologia que antes negava. A confirmação veio de Mike Anderson, vice-presidente de Engenharia de Propulsão da montadora, em entrevista à CNBC nesta segunda (5). Segundo ele, a ideia é atender ao que os clientes pedem o mais rápido possível. A mudança é grande para a maior montadora dos Estados Unidos, que passou duas décadas desconfiando dos híbridos.
Da "curiosidade interessante" à virada de estratégia
Em 2004, híbridos como o Toyota Prius começavam a exibir bons resultados. Nessa época, o então chefe de produtos da GM, Bob Lutz, chamou a tecnologia de "curiosidade interessante". Ele também duvidou que ela fizesse sentido com a gasolina barata.
Mesmo assim, a GM chegou a vender o Chevrolet Volt, eletrificado, mas abandonou os híbridos em 2019 para apostar nos 100% elétricos. Em 2021, a marca prometeu aposentar o motor a combustão até 2035.
Por que o plano mudou
Os elétricos não cresceram tanto quanto o esperado nos EUA, enquanto os híbridos ganharam força. A procura por elétricos esfriou depois que o governo Trump acabou com o incentivo federal à compra, em setembro de 2025. Desde então, a GM registrou cerca de R$ 56,9 bilhões (US$ 10,9 bilhões) em perdas para desfazer parte dos planos.
- Quem ainda quer um elétrico tem preferido o usado, cujas vendas subiram 14,7% em agosto.
- Os híbridos bateram recorde de 16,3% das vendas de carros novos no segundo trimestre, quase o triplo dos elétricos.
- A Ford cancelou a picape elétrica F-150 Lightning, mas vendeu 81 mil Mavericks híbridas em 2025.
Os híbridos também combinam mais com o gosto americano por carros grandes, nos quais as baterias pesam e custam caro. Com a gasolina a cerca de R$ 6 por litro (US$ 4,37 o galão), alta de R$ 1,71 em um ano, os americanos passaram a buscar carros econômicos. Quem nunca largou os híbridos lucra com isso.
O que a GM tem a oferecer
O único híbrido da GM à venda nos EUA hoje é um Corvette. A montadora emplacou 670.974 veículos no período, queda de 5,5%, e viu a vantagem sobre a Toyota encolher para 37.751 unidades.
O executivo não deu prazo nem citou modelos. A consultoria AutoForecast Solutions prevê os primeiros híbridos plug-in, que podem ser recarregados na tomada, entre o fim de 2027 e o início de 2028. Eles viriam em modelos que vão do SUV Equinox à picape Silverado, com cerca de 113 km de autonomia só no modo elétrico.
A tecnologia já existe. Na China, a GM vende um Equinox plug-in com 370 cv e até 155 km de autonomia elétrica, medida no ciclo chinês, mais otimista que o americano. A promessa nos EUA, porém, não é nova: em janeiro de 2024, a CEO Mary Barra já havia anunciado plug-ins para a América do Norte, que não chegaram às lojas.
E no Brasil?
Por aqui, a GM prepara os primeiros híbridos flex da marca no mundo. São versões do Tracker e da Montana com sistema híbrido leve de 48V, feitas em São Caetano do Sul (SP), com estreia prevista até o início de 2027.
Para o mercado brasileiro, a virada da matriz reforça que a eletrificação gradual, com híbridos, ganhou espaço frente à aposta exclusiva nos elétricos. A GM mantém planos para o Brasil, e a estreia do Tracker e da Montana híbridos será o primeiro teste dessa estratégia no país.
