A Ram Rampage, picape desenvolvida e fabricada no Brasil, será vendida nos Estados Unidos a partir de 2028. O plano foi confirmado pelo CEO da Stellantis, Antonio Filosa, em entrevista durante o Automotive News Congress, em Detroit, em 30 de setembro, segundo o jornal The Detroit News. A picape vai ocupar o segmento de entrada no mercado norte-americano, com papel semelhante ao da Fiat Strada no Brasil.
A porta de entrada da Stellantis nas picapes
A Rampage vai atuar no segmento de entrada de picapes nos EUA, onde a Ram não tem representantes e a Ford reina praticamente sozinha com a Maverick. Na prática, a picape terá por lá um papel parecido com o da Fiat Strada no Brasil: a porta de entrada da Stellantis no segmento.
Filosa afirmou que esse mercado ainda não é enorme, mas é relevante. Em 2025, a Maverick vendeu 155.051 unidades no país, recorde do modelo.
O desafio da "Chicken Tax" e a alternativa mexicana
Exportar a Rampage diretamente de Goiana (PE) não é considerado viável financeiramente por causa da chamada "Chicken Tax" (taxa do frango). Criada em 1964 pelos EUA em retaliação a tarifas europeias sobre o frango americano, a alíquota de 25% sobre picapes importadas continua em vigor.
Uma das alternativas da Ram é produzir a Rampage no México, que fica livre da tarifa por integrar o acordo comercial com EUA e Canadá. A picape poderia ocupar as linhas da fábrica de Toluca, que monta o Jeep Compass, modelo que usa a mesma plataforma Small Wide 4×4. A arquitetura compartilhada reduz custos e facilita a operação, como já ocorre em Goiana.
A Maverick, aliás, também é feita no México, em Hermosillo.
O que muda para o mercado norte-americano
Para a estreia nos EUA, a Rampage deve receber atualizações no visual e na cabine, além de versões e opções de motor específicas para o mercado norte-americano. A Ram ainda não divulgou especificações nem preços.
No Brasil, a picape é oferecida com:
- motor 2.2 turbodiesel com 200 cv e 45,9 kgfm;
- motor 2.0 turbo flex com 272 cv e 40,8 kgfm;
- câmbio automático de nove marchas e tração 4×4 em todas as versões.
Nos EUA, a Ram também prepara a volta da Dakota, picape média com chassi sobre longarinas, prevista para chegar ao mercado no fim de 2027.
O que isso significa para o Brasil
A decisão mostra que um projeto desenvolvido e fabricado no Brasil pode ganhar relevância internacional dentro da Stellantis, ao servir de base para a estratégia da marca em um segmento hoje dominado pela Maverick. Ainda que a produção para os EUA possa acabar no México por causa da tarifa, a Rampage brasileira é a origem do modelo que a Ram pretende levar ao mercado norte-americano a partir de 2028.
