Com quase onze anos de carreira, a picape Fiat Toro segue vendendo mais do que as principais concorrentes, sem esforço. Em um teste de quase 830 km com a Fiat Toro Ranch 2027, ficou claro que a picape tem motivos para isso e que ainda faz muito sentido nas versões turbodiesel, que os irmãos de fábrica Jeep Renegade e Compass deixaram de oferecer. O preço da Ranch, digno de uma Rampage de entrada, já beira os R$ 240 mil.
Motor turbodiesel forte, quieto e econômico
O motor 2.2 turbodiesel entrega 200 cv de potência e 46 mkgf de torque e trabalha de forma progressiva e crescente, sem trancos ou arrancadas esportivas. A força fica evidente em subidas íngremes com rotações baixas e também quando a picape está carregada de pessoas e bagagens, sem prejudicar ultrapassagens ou retomadas de velocidade na estrada.
O 2.2 Multijet é tão quieto que, em algumas situações, praticamente não é ouvido a bordo. Casado à transmissão automática de nove marchas, ele alcança esse feito, praticamente impossível em um turbodiesel de gerações anteriores, graças às relações longas e às trocas rápidas: sai em 2ª e, já a 50 km/h, é possível engatar a 5ª, mantendo o motor sempre em baixos giros.
A economia acompanha. Mesmo com quase duas toneladas, a Toro Ranch 2027 faz médias de bordo animadoras:
- Estrada: é fácil atingir 16 km/l em nona marcha, o que significa estar acima dos 115 km/h.
- Cidade: os números mais comuns rondam os 12,5 km/l.
- Teste completo: após 830 km entre cidade e estrada, o computador de bordo fechou em 14,5 km/l de diesel.
O ponto negativo é o tanque de 60 litros, mesma capacidade de alguns SUVs médios e menor que os das picapes maiores, que geralmente têm 80 litros.
Versão rural, tração 4x4 e conforto de sedan de luxo
A Ranch é a versão "caipira" da família e também a mais cara, voltada ao agro e afins. Tem estilo com muitos cromados e acessórios (estribo, santantônio, racks), interior em couro marrom e partes em madeira no painel (falsa). Traz tração 4x4 automática com reduzida, bloqueio de diferencial e controle eletrônico de descidas. Só abre mão do seletor de tipos de terreno, mas distribui o torque eletronicamente entre as quatro rodas: normalmente roda com tração dianteira e, em pisos escorregadios ou perda de tração, as rodas traseiras também se tornam motrizes.
No off-road, ela se sai bem com pneus de uso misto, boa altura do solo e amplos ângulos de ataque e saída. No asfalto, o comportamento é típico de SUV, como o do Compass, seu parente de plataforma. Há certa inclinação de carroceria, mas curvas rápidas e frenagens fortes são encaradas com segurança e precisão, ajudadas pelas suspensões independentes nas quatro rodas e pelos discos ventilados nas quatro rodas, emprestados da Rampage. A direção, porém, pende para a maciez e o conforto, com relação desmultiplicada e várias voltas de batente a batente.
O conforto é um ponto alto: as suspensões macias, de curso longo, fazem lombadas e buracos grandes parecerem pequenos obstáculos. A Ranch é macia a ponto de superar algumas versões de Jeep Renegade, Compass e Commander e também a Ram Rampage, um pouco mais dura. Mesmo com pneus de uso misto, a tocada lembra a de sedans de luxo, enfrentando pisos ruins como picape. O som tem boa definição e o ar-condicionado é poderoso, mas o acabamento é pobre, com muito plástico na cabine.
Espaço interno e equipamentos
Na frente, a posição elevada de dirigir deixa distância do teto mesmo para motoristas altos, e os bancos são amplos e confortáveis. Atrás, o espaço para as pernas é mais limitado, e há a ergonomia precária típica das picapes: assento baixo e plano, encosto ereto e joelhos muito acima do quadril. Os ocupantes de trás também não contam com saídas de ar dedicadas.
O pacote de equipamentos cresceu na linha 2027. A Ranch estreou monitores de ponto cego e alerta de tráfego cruzado traseiro de série, somando-se ao pacote ADAS da Stellantis: alerta de colisão frontal, frenagem autônoma, alerta de saída de faixa ativo e farol alto automático. Também são de série:
- 6 airbags e instrumentação digital de 7 pol.;
- banco do motorista com ajustes elétricos;
- multimídia vertical de 10 pol. com GPS nativo;
- retrovisor interno fotocrômico e sensores de chuva e crepuscular;
- sensores de estacionamento dianteiros e traseiros;
- conjunto óptico full-LED;
- retrovisores externos com rebatimento elétrico e luzes de cortesia;
- ar digital automático dual zone;
- freio de mão eletromecânico com Auto Hold.
Faltam o piloto automático adaptativo (ACC), que nunca equipou a picape desde a estreia, há pouco mais de 10 anos, e as câmeras 360º.
O que a Toro Ranch significa para o mercado
A Fiat Toro Ranch 2027 convence no conjunto: é silenciosa e muito confortável, com motor turbodiesel forte e econômico, boa dinâmica e equipamentos interessantes, apesar das ausências. Num mercado em que os irmãos SUVs da Jeep abandonaram o turbodiesel, ela segue como opção para quem quer essa mecânica em uma picape de proposta rural. Dentro da própria Stellantis, porém, existe a Ram Rampage Big Horn, maior, com a mesma plataforma, motor, transmissão e tração 4x4, mas menos equipada, um duelo que, segundo a fonte, merece uma matéria à parte.
