A perda de espaço das marcas estrangeiras na China está mudando a estratégia industrial da Volkswagen, que passa a usar suas fábricas locais como bases de exportação. O Grupo Volkswagen começou a enviar veículos produzidos na China para a América do Norte pela primeira vez, e o México é o destino inicial. O modelo escolhido é o Volkswagen Lamando L atualizado, produzido pela joint venture SAIC-Volkswagen.
O Lamando L chega ao México
O Lamando L é um sedã compacto de estilo cupê, oferecido até agora exclusivamente aos consumidores chineses. Ele será o primeiro modelo do grupo fabricado na China a chegar ao mercado mexicano.
Segundo a SAIC-Volkswagen, uma das metas é conquistar consumidores mexicanos mais jovens, aproveitando o desenho de perfil cupê do sedã. A empresa não detalhou se outros veículos da parceria com a SAIC Motor também serão vendidos no México no futuro.
O modelo utiliza a plataforma modular MQB e pode receber motores 1.5 ou 2.0 turbo, ambos associados a uma transmissão automatizada de dupla embreagem com sete marchas. A cabine tem duas telas no painel, acabamento claro e teto solar.
Por que a Volkswagen busca novos destinos
A estratégia permite aproveitar melhor a capacidade disponível nas fábricas chinesas num momento de forte redução das vendas locais. Depois do recorde de 4,23 milhões de veículos comercializados na China em 2019, as vendas anuais da Volkswagen recuaram para 2,93 milhões de unidades em 2025.
Os números recentes reforçam a necessidade de novos mercados: as entregas chinesas do grupo caíram 26% no primeiro semestre, para 971.000 veículos. Parte da mudança acompanha a preferência crescente dos consumidores chineses por fabricantes domésticos e por modelos eletrificados com muitos recursos digitais e de software. A procura por modelos a gasolina também foi pressionada pela alta dos preços do petróleo, no contexto da guerra no Irã, que afetou o mercado energético internacional.
Uma tendência entre as montadoras estrangeiras
A Volkswagen não está sozinha. Diversas fabricantes internacionais passaram a enxergar a China também como plataforma de produção para mercados externos. Ford e Hyundai já usam instalações chinesas para exportar veículos a combustão, enquanto GM e Nissan aproveitam projetos eletrificados desenvolvidos localmente para abastecer outros países.
A própria Volkswagen começou a ampliar suas exportações chinesas em 2025, inicialmente para regiões mais próximas da Ásia e outros mercados internacionais. Até agora, a SAIC-Volkswagen enviava modelos a gasolina para países do Sudeste Asiático e da Ásia Central, e o México amplia esse alcance.
A FAW-Volkswagen, parceria do grupo com a China FAW Group Co., segue estratégia semelhante com produtos Volkswagen e Jetta equipados com motores a gasolina. Esses veículos já são enviados a mercados do Oriente Médio, Ásia Central e África, e a submarca Jetta tinha antes sua comercialização limitada à China.
- A SAIC-Volkswagen pretende incluir modelos eletrificados chineses em sua estratégia internacional.
- O primeiro será o ID Era 9X, um EV com extensor de autonomia, que deverá ser exportado para mercados ainda não identificados.
- A FAW-Volkswagen revelou em 22 de agosto planos de enviar ao exterior modelos da Audi produzidos na China.
O que isso significa para o mercado
O movimento mostra que a China deixa de ser apenas o maior mercado do grupo e passa a funcionar também como polo exportador, tanto de modelos a combustão quanto de eletrificados. Para quem acompanha o mercado brasileiro, o caso é um indicador de como as montadoras globais reorganizam sua produção diante da pressão das marcas chinesas e da queda de vendas no país asiático. A Volkswagen não informou, no material divulgado, planos para outros mercados além dos citados.
