A Toyota constrói casas no Japão desde os anos 1970, e o faz do jeito que sabe: em linha de montagem. As residências não são de alvenaria, mas de módulos tridimensionais de aço que saem da fábrica quase prontos, seguem de caminhão até o terreno e são erguidos por guindaste. Segundo a montadora, uma casa pode ficar pronta em cerca de 45 dias, menos da metade do prazo de uma construção de madeira convencional no país.
O segredo está em tirar o trabalho do canteiro de obras. Cerca de 85% da fabricação ocorre dentro da fábrica, onde cada “cubo” de aço de aproximadamente 14 m² recebe paredes, janelas, instalações elétricas e hidráulicas antes de ser transportado. Uma casa japonesa de porte médio consome cerca de 12 desses módulos, empilhados no local como peças de brinquedo.
Ensaios sísmicos no lugar do crash test

A herança automotiva vai além do método. Antes de chegar ao cliente, a estrutura passa por ensaios que simulam terremotos, em um processo comparável aos testes de colisão de automóveis, e recebe tratamentos anticorrosão desenvolvidos para carros. É o que sustenta a garantia estrutural de até 60 anos anunciada pela empresa.
O número tem peso maior do que parece. No Japão, as casas de madeira tradicionais costumam ser demolidas e reconstruídas a cada 30 anos, em média, o que faz da garantia praticamente o dobro da vida útil esperada de uma residência no país.
Um negócio pequeno que já não é só da Toyota
A Toyota criou sua divisão de habitação em agosto de 1975 e passou a vender casas sob a marca Toyota Home em fevereiro de 1977. A própria montadora associa a origem da ideia a Kiichiro Toyoda, fundador da divisão automotiva, que se interessou por técnicas de concreto pré-moldado décadas antes. Ele morreu em 1952, mais de vinte anos antes de o negócio de casas existir.
Apesar do quase meio século de operação, a escala nunca acompanhou a do setor automotivo. O negócio imobiliário chegou a representar menos de 1% da receita da Toyota, e em 2019 a empresa vendeu pouco mais de 10 mil casas unifamiliares somando todas as suas linhas, em um mercado japonês em que a pré-fabricação é minoria: a maior parte dos compradores contrata carpinteiros locais ou opta por apartamentos.
Há ainda uma mudança que passou relativamente despercebida fora do Japão. Desde janeiro de 2020, a Toyota Housing deixou de ser subsidiária integral da montadora e passou ao controle da Prime Life Technologies, empresa criada em sociedade meio a meio com a Panasonic. O grupo reúne também Panasonic Homes e Misawa Homes e entrega cerca de 17 mil casas por ano. As unidades continuam sendo vendidas apenas no mercado japonês.
