quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Os parafusos de um Pagani custam mais que um Porsche 911

Um Pagani custa milhões de euros, e parte da explicação está em um item que ninguém repara: o parafuso. Cada hipercarro da marca italiana usa cerca de 2.000 peças de fixação em titânio, que sairiam por aproximadamente £ 60 cada, ou cerca de R$ 415. Multiplicado, o conjunto passa de £ 120 mil, algo em torno de R$ 830 mil.

O número vem de uma visita à fábrica de San Cesario sul Panaro conduzida pelo canal Carwow, apresentada por Mat Watson. Há uma ressalva importante: o vídeo não esclarece se as £ 60 correspondem ao custo de produção, ao preço de reposição ou a uma média estimada. O total, portanto, é resultado de multiplicação simples, e não um dado divulgado pela Pagani.

Foi essa conta que rendeu a comparação repetida pela imprensa internacional, segundo a qual só os parafusos custam mais que um Porsche 911 zero-quilômetro. A analogia funciona nos Estados Unidos, onde o 911 Carrera parte de US$ 135,5 mil. No Brasil, não: pela tabela Fipe, o 911 ano 2026 começa em cerca de R$ 1,04 milhão, mais de R$ 200 mil acima do valor estimado para os parafusos.

Pagani Huayra 70
Foto: Pagani | Divulgação

Gravação 35 vezes mais fina que um fio de cabelo

O que encarece o parafuso não é apenas o titânio. Cada unidade recebe o logotipo da Pagani gravado a laser com profundidade de dois mícrons, ou 0,002 mm, cerca de 35 vezes menos que a espessura de um fio de cabelo humano. No vídeo, a equipe do Carwow chega a mostrar a ferramenta usada na gravação.

O rigor se repete em peças que o proprietário raramente vê. A vareta de óleo é usinada em titânio e anodizada, mas o processo não termina aí: ela é instalada provisoriamente no motor para que se identifique em que ponto para quando apertada. Só então volta para a gravação, de modo que o logotipo fique perfeitamente alinhado, e retorna para a instalação definitiva.

Oito horas de polimento à mão

O volante segue a mesma lógica de excesso. A peça nasce como um bloco de alumínio de 43 kg e deixa a usinagem pesando 1,7 kg, ou seja, mais de 95% do material vira cavaco. Depois disso, um artesão de 80 anos dedica cerca de oito horas ao polimento manual.

Nem os componentes escondidos escapam do tratamento. Rolamentos de roda e braços de suspensão saem da fábrica com acabamento mais próximo de uma escultura que de uma peça mecânica. É essa lógica, aplicada item por item, que ajuda a sustentar o preço de um Pagani, capaz de superar € 3,1 milhões antes de impostos e opcionais.

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