A China decidiu ‘apagar’ as luzes azuis que sinalizam quando os sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) estão em operação. Segundo apuração de veículos especializados chineses, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) determinou que os carros de passeio deixem de receber esses indicadores externos por descumprirem a norma nacional de iluminação veicular GB4785. A restrição vale para modelos homologados a partir de 27 de julho.
A medida veio a público pela captura de tela de um comunicado do ministério divulgada pelo blogueiro do setor Sun Shaojun e depois checada por fontes da indústria junto ao jornal Yicai. Não houve, até agora, publicação formal do texto. A Changan atestou a autenticidade da orientação, e a Geely afirmou que cumprirá estritamente as regras nacionais enquanto aguarda requisitos complementares.
Uma cor fora da lista
O conflito regulatório é antigo. A GB4785-2019, de cumprimento obrigatório, limita as cores da iluminação externa dos veículos a branco, vermelho, amarelo e âmbar. Azul e verde não constam da lista, o que manteve essas luzes em uma zona cinzenta desde que se popularizaram. A expectativa do setor é que o comitê nacional de normalização automotiva publique requisitos complementares à norma para fechar a lacuna.
Há ainda um detalhe curioso na cronologia. Uma minuta posta em consulta pública em 2021 chegou a propor a obrigatoriedade de luzes azul-esverdeadas em veículos de nível 3 de autonomia ou superior. O dispositivo não entrou na versão final da norma, concluída em 2025.

Do Li Auto L9 a 2,5 milhões de carros
A moda começou em agosto de 2022, com o lançamento do SUV Li Auto L9 e seus cinco indicadores azuis. Aito, Xpeng, Nio, Xiaomi e Geely adotaram o recurso em seguida. Nos modelos 2026 da Li Auto, as luzes foram integradas à faixa de LED frontal batizada de “Star Ring”, que muda de cor quando a condução assistida é acionada. Levantamento da consultoria DVN aponta 755 mil veículos equipados com o sistema na China até setembro de 2025, com projeção de 2,5 milhões apenas em 2026.
Críticos sustentam que o azul distrai outros motoristas à noite, pode ser confundido com as setas e acaba servindo de escudo de responsabilidade, estimulando quem está ao volante a confiar demais no sistema. Defensores argumentam que a sinalização avisa os demais usuários da via de que o carro está sob condução assistida. O regulador chinês cita risco de poluição luminosa e de acidentes.
Para os carros já vendidos, o MIIT ainda estuda como proceder, e não há proibição em vigor. Especialistas ouvidos pela imprensa chinesa avaliam que as fabricantes podem recorrer a atualizações remotas (over-the-air) para trocar a cor ou desativar a função. O impacto mais direto recai sobre a cadeia de fornecedores de LED, que investiu em componentes e linhas de produção específicas para o recurso.
