quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Porsche vai cortar mais 5.000 empregos até 2035 após queda de 32% nas entregas na China

A Porsche fechou com o conselho de trabalhadores um acordo que prevê o corte de mais 5.000 postos de emprego até 2035. Somados aos pacotes anteriores, os desligamentos chegam a cerca de 9.000 vagas, aproximadamente um em cada cinco empregos da fabricante, que encerrou 2024 com 42.600 funcionários. Nenhuma das saídas será demissão forçada, e a empresa estendeu a garantia de emprego e de manutenção das fábricas até o fim de 2035.

Como o acordo foi fechado

O anúncio foi feito na segunda-feira (27), depois de meses de negociação com o sindicato IG Metall e a associação patronal Südwestmetall. Segundo a empresa, a redução virá de aposentadorias naturais, efeito demográfico, ampliação do programa de aposentadoria parcial e acordos voluntários de rescisão.

Em troca, a Porsche prometeu € 2,1 bilhões em investimentos na unidade de Stuttgart-Zuffenhausen, onde nascem os esportivos de duas portas, e no centro de desenvolvimento de Weissach.

O que os funcionários cedem

A conta tem outro lado. Pelo acordo, os trabalhadores abrem mão de parte dos benefícios:

  • 3,5% do reajuste salarial já negociado e dos futuros aumentos ficam adiados até 2035;
  • em 2027 e 2028, a alta direção renuncia a uma contribuição equivalente;
  • o bônus de Natal encolhe: a parcela voluntária paga pela empresa cai de 45% para 5% até 2035, o que reduz o benefício de até 100% para 60% de um salário mensal;
  • o home office, antes permitido por 12 dias mensais, passa a valer por oito.

Como compensação imediata, a fabricante vai pagar em agosto um bônus de transformação de € 1.500 a cada funcionário. Filiados ao IG Metall recebem € 411 a mais, totalizando € 1.911, além de um dia extra de folga por ano.

Um semestre difícil nas vendas

O pacote chega após um semestre complicado. A Porsche entregou 122.306 carros de janeiro a junho, 16% menos que em 2025. Na China, foram 14.501 unidades, queda de 32%, volume inferior ao da própria Alemanha, com 14.938.

A empresa atribui o recuo global ao fim da produção do 718 a combustão, à forte base de comparação do Macan elétrico e ao término dos incentivos fiscais para eletrificados nos Estados Unidos.

Balanço e próximos passos

Michael Leiters assumiu o comando em janeiro com a missão de reorganizar o negócio. No balanço do semestre, divulgado na quarta-feira (29), a receita caiu para € 17,23 bilhões, mas o resultado operacional subiu 34%, a € 1,35 bilhão, e a previsão para o ano foi mantida.

O diretor financeiro, Jochen Breckner, avisou que o novo pacote de cortes deve pesar algumas centenas de milhões de euros no segundo semestre. Os detalhes da estratégia até 2035 serão apresentados em outubro, no Capital Markets Day da companhia.

O que isso significa para o mercado brasileiro

Para o consumidor e o entusiasta brasileiro, o movimento mostra como a Porsche tenta se reorganizar diante da queda de demanda na China, mercado em que as entregas ficaram abaixo das alemãs, e da mudança de ritmo na eletrificação. A estratégia completa, que deve indicar os rumos da marca nos próximos anos, será detalhada no Capital Markets Day, em outubro.

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