Um Bugatti Mistral de 2025 com apenas 516 km rodados será leiloado pela RM Sotheby's entre os dias 13 e 15 de agosto, em Monterey, na Califórnia. A estimativa de arremate vai de US$ 7,5 milhões a US$ 9,5 milhões, algo entre R$ 38,3 milhões e R$ 48,5 milhões pela cotação atual. Além da quilometragem irrisória, o exemplar guarda um detalhe curioso: os plásticos de proteção colocados na entrega continuam em painéis internos.
Por que este Mistral chama tanto a atenção
O interesse pelo carro não se explica só pelo odômetro. O Mistral é o último Bugatti de rua equipado com o 8.0 W16 quadriturbo, motor que definiu a identidade da marca francesa por duas décadas. O propulsor passou por Veyron, Chiron e, por fim, chegou ao conversível.
A produção foi limitada a 99 unidades em todo o mundo. Isso transformou o modelo em item de colecionador antes mesmo das primeiras entregas.
Desempenho e especificação do exemplar
Sob a carroceria desenhada para privilegiar o fluxo de ar, o W16 entrega 1.600 cv de potência e 163 kgfm de torque. O conjunto leva o conversível de 0 a 96 km/h em menos de dois segundos. A velocidade máxima verificada é de 454 km/h, marca que o credencia como o carro aberto de produção mais rápido já construído.
O carro que vai a leilão tem pintura externa em Vermelho Italiano e Nocturne. O interior é revestido em couro Vermelho Italiano e Preto Beluga. Segundo a casa de leilões, o hipercarro teve um único proprietário e saiu de fábrica com cerca de US$ 325 mil (aproximadamente R$ 1,7 milhão) em opcionais e acabamentos sob medida.
- Seletor de marchas usinado a partir de um único bloco de alumínio.
- Inserto em âmbar que abriga uma reprodução do Elefante Dançante, escultura de Rembrandt Bugatti, irmão do fundador da montadora.
- Lote oferecido com capa original, carregador de bateria, kit de ferramentas e manuais do proprietário.
O nome do modelo, por sua vez, é uma referência ao mistral, vento que sopra pelo sul da França.
Valorização e o fim da era W16
Quando chegou ao mercado, o Mistral partia de US$ 5,1 milhões, algo em torno de R$ 26 milhões. Se o exemplar atingir o teto da estimativa, terá praticamente dobrado de valor em cerca de um ano. O movimento ilustra o apetite do mercado de colecionáveis por séries limitadas associadas ao encerramento de eras mecânicas.
A Bugatti, no entanto, já virou a página. O W16 saiu de linha e deu lugar ao Tourbillon, apresentado em 2024 com um 8.3 V16 aspirado combinado a três motores elétricos. É a primeira vez desde a estreia do Veyron, em 2005, que um Bugatti de rua não usa turbocompressores.
Para o mercado brasileiro, o caso funciona como termômetro de um segmento que o país acompanha de longe. Os valores em reais citados aqui são apenas conversões de referência. Ainda assim, mostram até onde vai o interesse por hipercarros de série limitada, sobretudo quando carregam o último capítulo de um motor lendário e chegam ao mercado praticamente intocados.
