A próxima geração do Hyundai Kona apareceu completamente sem camuflagem na Coreia do Sul, em imagens que circularam nas redes sociais e anteciparam uma reformulação bem mais profunda do que a habitual reestilização de meio de carreira. O protótipo de pré-série exibe postura mais alta e verticalizada, com desenho que abandona as linhas fluidas da geração atual e aproxima o SUV da identidade dos elétricos da família Ioniq.
Na dianteira, o modelo preserva o conceito de conjunto ótico dividido, marca registrada das duas primeiras gerações, mas com faróis principais bem menores e uma faixa de LED superior mais encorpada, que atravessa a frente de ponta a ponta. Abaixo, o para-choque esculpido traz entradas de ar reduzidas e o que aparenta ser uma grade fechada.
O perfil chama atenção justamente pelo que sumiu: os apliques plásticos sem pintura nas caixas de roda, que davam ao Kona atual um ar mais rústico. No lugar, superfícies limpas, sem os vincos diagonais da geração de saída, e um tratamento bicolor discreto, que contrapõe colunas cinza à carroceria prata fosca. A linha de cintura reta segue até uma traseira redesenhada e mais verticalizada.

As dimensões não foram confirmadas, mas o SUV deve crescer. O Kona atual mede 4,35 m de comprimento e o Creta, 4,33 m — enquanto o Kia Seltos de nova geração, mecanicamente aparentado, chega a 4,43 m. Um porte maior ajudaria o modelo a se firmar na fronteira entre os segmentos subcompacto e compacto na Europa, onde ocuparia o espaço entre o Bayon e o Tucson e enfrentaria Volkswagen T-Roc, Toyota C-HR, Honda HR-V e Mazda CX-30.
O ponto mais relevante, porém, está fora da carroceria. Publicações internacionais apontam que a Hyundai pretende fundir as linhas Kona e Creta em um único produto global, movimento coerente com o tamanho parecido dos dois SUVs. As formas do protótipo remetem ao conceito Crater, apresentado em 2025, apontado como base estética do projeto.
Para o Brasil, a decisão tem peso extra. O Creta é um dos carros mais vendidos do país e sua terceira geração, de código SX3b, deve nascer justamente dessa unificação. Há ainda a expectativa de que a estrutura seja aproveitada pela General Motors: pelo acordo anunciado pelas duas montadoras em agosto de 2025, que prevê cinco modelos desenvolvidos em conjunto, o próximo Chevrolet Tracker deve derivar do SUV da Hyundai. O primeiro produto da parceria é esperado para 2028.
No interior, a expectativa é de um cockpit digital com telas maiores, no caminho já aberto pelo Ioniq 3, rodando o novo sistema Pleos Connect, construído sobre o Android, do Google. A Hyundai não deve abandonar os botões, mantendo comandos físicos para as funções de uso frequente.
A linha de motores deve variar conforme o mercado e incluir um 2.0 aspirado, um 1.6 turbo e um 1.6 híbrido autorrecarregável, com tração dianteira ou integral. A versão totalmente elétrica pode ser mantida, com a possibilidade de um sistema com extensor de autonomia. A estreia oficial é aguardada para os próximos meses, como linha 2027.
