domingo, 10 de maio de 2026

Marea e motor Fivetech trouxeram avanço tecnológico que virou desafio na Fiat

Primeiro sedã médio da Fiat no Brasil, automóvel nacional com quatro válvulas por cilindro, pace car (oficial) na história da Fórmula 1 e sedã nacional com motor turbo. Este foi o legado que consolidou o Tempra no coração dos brasileiros, mas também foi a régua que dificultou a carreira do Marea como seu sucessor.

CLASSICOS FIAT MAREA
O desenho original da traseira permaneceu até o modelo 2001Fernando Pires/Quatro Rodas

Apresentado em maio de 1998, o Marea foi o primeiro nacional com motor de cinco cilindros, configuração já utilizada com grande sucesso por fabricantes como Audi, VW e Volvo, na Europa. A ordem do diretor-superintendente Giovanni Battista Razelli era clara: o Marea brasileiro deveria ter o mesmo padrão do Marea italiano.

As primeiras unidades da perua Marea Weekend eram importadas. Mas o sedã sempre foi nacional, recebendo extenso trabalho na calibração e refrigeração do motor, escalonamento do câmbio, dimensionamento da suspensão e pneus de perfil alto, como revela o engenheiro Robson Cotta, que trabalhou na Fiat por quase 40 anos.

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Bancos revestidos de couro eram um dos poucos opcionais da versão HLXFernando Pires/Quatro Rodas

A distância entre os eixos era a mesma do Tempra: 2,54 metros. Mas o Marea era maior, mais largo e mais baixo e se destacava pelo nível de equipamentos: ar-condicionado era item de série na versão de entrada ELX, bem como travas elétricas, freios a disco nas quatro rodas, cintos de segurança dianteiros com pré-tensionadores e traseiros de três pontos.

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Mais completa, a versão HLX adicionava airbag para o motorista, rodas de liga leve, faróis de neblina, faróis principais com regulagem elétrica e lavadores, retrovisores elétricos e comandos de som no volante. Entre os opcionais: ABS, teto solar elétrico, bancos de couro e banco do motorista com ajustes elétricos.

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O espaço na dianteira…Fernando Pires/Quatro Rodas
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… não se repetia na traseiraFernando Pires/Quatro Rodas

As duas versões usavam o motor Pratola Serra 2.0 de cinco cilindros (conhecido como Fivetech), com duplo comando de válvulas, quatro válvulas por cilindro, variação de abertura das válvulas e Bosch Motronic. Seus 18,1 kgfm e 142 cv aceleravam os 1.351 kg do carro de 0 a 100 km/h em 10,8 s, com máxima de 199,5 km/h.

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O Marea era mais rápido e veloz que o Honda Civic LX (bem mais leve) e Chevrolet Vectra GLS (com motor de 2,2 litros). Seu comportamento dinâmico era beneficiado pelas suspensões independentes nas quatro rodas: dianteira McPherson e traseira por braços arrastados.

A versão SX chegou no final de 1998: perdeu ar-condicionado, toca-fitas, vidros elétricos e 15 cv no motor. O variador do comando de válvulas foi desativado por uma questão tributária: na época modelos com até 127 cv pagavam 25% de IPI. Os 142 cv do ELX resultavam em uma alíquota de 30% e o tornavam cerca de 13% mais caro.

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No porta-malas cabiam 430 litrosFernando Pires/Quatro Rodas

A versão mais desejada chegaria apenas em dezembro de 1998: o Marea Turbo acelerava de 0 a 100 km/h em 8,1 s e chegava aos 219 km/h de velocidade, graças a um turbocompressor Garret, responsável por gerar 27 kgfm a 2.750 rpm e 182 cv a 6.000 rpm. Suspensão e freios foram completamente redimensionados para conter o fôlego adicional.

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Em 1999 o Marea recebeu airbag duplo como item de série, sendo o primeiro a oferecer bolsas laterais (side-bags) como opcionais. Na linha 2000 o Marea SX adotava um inédito motor de quatro cilindros, 1.8 16 válvulas de 127 cv, também com variação do tempo de válvulas. Em julho, o motor 2.0 aspirado cedeu lugar ao 2.4 de 160 cv nas versões ELX e HLX.

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Saída de ar-condicionado na traseiraFernando Pires/Quatro Rodas

Reestilizado em 2001, o Marea recebeu grade dianteira redesenhada com o novo logotipo da Fiat e lanternas traseiras (herdadas do italiano Lancia Lybra). No final do ano, o motor 2.4 poderia receber o câmbio automático Aisin de quatro marchas e a versão ELX passou a ser oferecida com o mesmo motor 1.8 da versão SX.

Infelizmente, o Marea foi vitimado pelo próprio avanço tecnológico: o prazo de 20.000 km recomendado para a troca de óleo o tornou um sério candidato à formação de borra no motor e o uso de lubrificantes de especificação errada agravou o problema. A falta de mão de obra qualificada em oficinas independentes consolidou sua (injusta) má fama no mercado.

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Motor ficou conhecido como FivetechFernando Pires/Quatro Rodas

A última fase do Marea começou em 2005: a versão SX recebeu o motor Corsa Lunga argentino de 1,6 litro, 16 válvulas e 106 cv. Seu desempenho ainda era adequado, mas o modelo já não convencia frente a versões básicas do Toyota Corolla, Renault Megane, Ford Focus e Chevrolet Astra. O último Marea deixou a linha de produção em Betim (MG) em novembro de 2007.

Ficha Técnica – Fiat Marea HLX 2.0 1999

Motor: transversal, 5 cilindros em linha, 1996 cm3, alimentado por injeção eletrônica. Potência: 142 cv a 6.000 rpm. Torque: 18,1 kgfm a 5.000 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
Carroceria: fechada, 4 portas, 5 lugares
Dimensões: comprimento, 439 cm; largura, 174 cm; altura, 142 cm; entre–eixos, 254 cm
Peso: 1.351 kg
Pneus: 195/60 R15

Teste – Setembro de 1999

ED 455
<span class=”hidden”>–</span>Reprodução/Quatro Rodas

ACELERAÇÃO – 0 a 100 km/h em 10,79 s
VELOC. MÁX. –  199,5 km/h
CONSUMO – 9,33 km/l (média)
Urbano: 6,39 km/l
Rodoviário: 10,2 km/l

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