A disputa entre montadoras chinesas por espaço industrial no Brasil ganhou um novo capítulo.
A Jetour, marca do grupo Chery que já vende SUVs híbridos no país, confirmou que avalia seriamente o modelo de fábrica compartilhada para começar a produzir localmente.
Ela deve seguir um caminho já percorrido por outras rivais asiáticas, como a própria BYD.
O que a Jetour está avaliando
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Em entrevista à agência Reuters, o diretor de marketing da Jetour no Brasil, Henrique Sampaio, confirmou que a empresa estuda dividir o espaço ocioso de instalações fabris já existentes no país, em vez de construir uma planta totalmente nova do zero.
Segundo ele, essa é uma estratégia inteligente para ambos os lados envolvidos, principalmente quando as marcas não competem diretamente no mesmo segmento de mercado.
O executivo também confirmou que uma associação com outra montadora para viabilizar a produção é, sim, uma possibilidade real dentro dos planos da empresa.

O caminho já percorrido por outras marcas chinesas
A estratégia de ocupar fábricas ociosas não seria uma novidade no cenário automotivo chinês no Brasil.
BYD e GWM, por exemplo, montaram fábricas próprias em instalações que antes pertenciam a outras montadoras estabelecidas no país.
Além delas, a Geely comprou 30% de participação na operação brasileira da Renault, a Leapmotor fechou parceria com a Stellantis para produzir no Nordeste, e tanto a Chery quanto a Changan mantêm parcerias com a Caoa para viabilizar suas operações locais.
A pista mais concreta: a fábrica parada em Jacareí
Embora Sampaio não tenha confirmado detalhes específicos, há negociações em andamento entre a Jetour e a prefeitura de Jacareí (SP) para a possível ocupação de uma fábrica da Caoa Chery que está parada desde 2022.
Se confirmada, essa seria a via mais rápida para a marca dar o próximo passo rumo à produção nacional, sem custos com a construção de uma planta inteiramente nova.
Quanto a Jetour já investiu no Brasil
Independentemente da decisão sobre a fábrica, a Jetour já colocou dinheiro na operação brasileira: a empresa planeja investir R$ 400 milhões até o fim de 2027, valor que não inclui os custos com produção local.
Desse total, R$ 40 milhões já foram aplicados em pesquisa e desenvolvimento — incluindo a adaptação de motores para a tecnologia flex, fundamental para o mercado brasileiro.
Até o fim deste ano, a companhia deve ter aplicado R$ 150 milhões no país.
Como está a operação da marca hoje
A Jetour começou a vender veículos no Brasil em março de 2026 e já avançou rapidamente na estruturação da rede: são cerca de 60 concessionárias em operação, com a meta de chegar a 100 unidades até o final do ano.
Em pouco mais de quatro meses de vendas, a marca já soma 4 mil veículos comercializados, a maioria grandes utilitários com motorização híbrida.
Por que tantas marcas chinesas estão vindo para o Brasil
Segundo Sampaio, a explicação para a corrida das montadoras chinesas por espaço no Brasil está na concorrência do próprio mercado doméstico chinês.
Com 146 marcas de carros disputando espaço na China, a pressão sobre as margens de lucro é enorme, o que empurra as fabricantes a buscar novos mercados fora do país — e o Brasil se tornou um dos destinos mais procurados nesse movimento.
O que vem por aí para a Jetour
A marca pretende lançar seis modelos no Brasil ainda este ano, dos quais quatro já foram apresentados ao mercado.
O quinto lançamento, previsto para ainda este mês, é o G700, um SUV híbrido plug-in de grande porte, que chega poucas semanas depois da apresentação da versão 4×4 do utilitário T2.
Com um ritmo acelerado de lançamentos e planos concretos de produção local, a Jetour sinaliza que pretende se firmar como mais uma peça relevante no já concorrido tabuleiro das montadoras chinesas no Brasil.
O post BYD pode ganhar nova vizinha: chinesa prepara fábrica de SUVs híbridos no Brasil apareceu primeiro em GARAGEM 360.
