Para a BAIC, a parte mecânica do carro deixou de ser o principal diferencial das montadoras, e o software e a eletrônica embarcada passam a ocupar esse lugar. A avaliação é de Oswaldo Ramos, COO da marca, e foi divulgada em matéria publicada em 3 de novembro de 2026. Segundo o executivo, isso será o principal fator de competitividade entre as marcas tradicionais e as que surgem apoiadas em tecnologias digitais.
Do motor ao software: o que muda na competição
Os carros desenvolvidos por software são apresentados como o próximo passo da evolução automotiva. Nessa lógica, a engenharia mecânica deixa de ser o pilar do futuro do automóvel e é substituída por eletrônica embarcada de alto nível e escala.
Ramos afirma que as marcas tradicionais seguem focadas na engenharia automotiva convencional. Já as marcas que surgem apoiadas em tecnologias digitais partem de outra base. Na visão do executivo, a eletrificação e o software reduziram a importância da engenharia mecânica na disputa por mercado.
Antes, motores e transmissões eram os principais diferenciais entre os fabricantes. Com a eletrificação, as baterias e os sistemas governados por softwares sofisticados simplificaram essa conta. Em entrevista ao site Automotive Business, Ramos resumiu: “A parte mecânica do carro passou a ser uma commodity. Na engenharia, ela não é mais um diferencial tecnológico.”
Custo, escala e flexibilidade
O executivo explicou que desenvolver um carro sobre uma arquitetura eletrônica e de software reduz ao máximo o custo de adicionar novas funcionalidades depois. Em um carro tradicional a combustão, esse custo é maior.
A escala de produção reforça o efeito. A mesma arquitetura pode ser compartilhada com outros modelos do fabricante, o que reduz os custos de forma geral e torna os carros por software mais competitivos no cenário global.
Tecnologia desde a versão de entrada
Na prática, esse modelo permite que as tecnologias mais avançadas a bordo cheguem desde as versões mais baratas, com o custo global diluído pela maior escala de produção. Segundo a matéria, é isso que as marcas chinesas têm feito dentro e fora da China. Elas assumem tecnologias avançadas de ADAS, conectividade e IA já nas versões de acesso.
Isso muda a forma como o consumidor enxerga o produto. Ele passa a tratar o carro como um item de tecnologia desde a base, o que também ajuda a fidelizar o cliente, como fazem as marcas de smartphones.
Sobre esse acesso à tecnologia na base da linha, Ramos disse: “O veículo desenvolvido com base em software nos dá flexibilidade em termos de custo para aplicar mais conteúdo, e isso acaba refletindo em preço e no posicionamento do produto no mercado.” Para ele, os modelos mais tradicionais não têm essa flexibilidade, e por isso alguns itens aparecem apenas nas versões topo de gama.
O recado às marcas tradicionais
Questionado sobre a reação das marcas tradicionais, que tentam oferecer produtos como os das chinesas, Ramos foi direto: “Não adianta fazer apenas um rebadge do produto chinês, como algumas montadoras fazem.” Ele completou que o veículo baseado em software é um conceito amplo, que envolve também a cultura da empresa.
Pontos principais da avaliação da BAIC
- A mecânica passou a ser uma commodity e não é mais um diferencial tecnológico, segundo o COO da BAIC.
- Arquitetura eletrônica e de software reduz o custo de adicionar funções no futuro.
- A escala permite compartilhar a mesma arquitetura entre modelos e diluir custos.
- Tecnologias como ADAS, conectividade e IA chegam às versões de acesso nas marcas chinesas.
- Apenas fazer rebadge de um produto chinês não basta, pois a abordagem envolve a cultura da empresa.
O que isso significa para o comprador brasileiro
A leitura da BAIC aponta para uma disputa em que o comprador deve olhar menos para motor e câmbio e mais para o pacote de tecnologia. Na visão da marca, o modelo baseado em software tende a levar mais conteúdo às versões de entrada, em vez de reservá-lo às versões mais caras. A matéria não traz preços nem lançamentos específicos. O que fica é a visão de um executivo sobre para onde a competição caminha, e os efeitos reais dependerão do que cada marca vai entregar no mercado.
