A Volkswagen vive um contraste entre regiões. Na Europa, a nova família de elétricos urbanos e mais baratos, com ID. Polo e ID. Cross, já acumula quase 150 mil encomendas desde o início da produção. No mundo, porém, as entregas de elétricos do grupo recuaram nos nove primeiros meses do ano, e a demanda europeia acima do esperado levou a ajustes de produção em fábricas.
Europa avança, mundo recua
Entre janeiro e setembro, o grupo entregou 678.700 elétricos no mundo, queda de 5,4% sobre as 717.700 unidades do mesmo período do ano passado. O resultado europeu foi o oposto: foram 586.100 elétricos entregues na região até setembro, volume 12% superior ao dos mesmos meses de 2025.
No terceiro trimestre, as entregas europeias chegaram a 209.100 elétricos, alta de 20% sobre igual intervalo do ano anterior, enquanto as encomendas cresceram 60%. Naquele trimestre, um em cada cinco veículos entregues pelo grupo na Europa era elétrico, e esses modelos já representavam cerca de 40% da carteira de pedidos.
Martin Sander, responsável pelas vendas do Grupo Volkswagen, afirma que a procura por elétricos acelera de maneira significativa no mercado europeu, impulsionada pelos combustíveis caros e pelos novos modelos de entrada. Na Alemanha, as encomendas de elétricos já superam as de veículos a combustão, segundo a marca.
A família urbana: ID. Polo e ID. Cross
A produção em série da Electric Urban Car Family começou em junho. Ela reúne Volkswagen ID. Polo e ID. Cross, Cupra Raval e Skoda Epiq sobre uma mesma base.
- ID. Polo Trend: tem bateria de 37 kWh e parte de €24,995 (R$ 139.900). A autonomia é de 334 km pelo padrão WLTP.
- ID. Cross: é o equivalente elétrico do T-Cross, modelo mais vendido da Volkswagen na Europa. O preço inicial na Alemanha é de €27,995 (R$ 156.700).
A demanda acima do esperado chegou às fábricas. No mês passado, a publicação alemã Automobilwoche informou que a Volkswagen ajustava a produção em diversas unidades. A estratégia de carros menores e acessíveis também busca dar ao grupo condições de competir com a BYD e outras marcas chinesas, que ampliam sua presença fora da China. Essas fabricantes miram mercados como Europa, América Latina e Sudeste Asiático, enquanto a oferta de elétricos baratos se expande no mercado chinês.
China e Estados Unidos pesam no resultado
Na China, as entregas de elétricos da Volkswagen somaram 48.900 unidades até setembro, redução de 42,5% sobre o mesmo período do ano passado. Sander atribui parte da dificuldade à forte retração do mercado chinês como um todo, mas diz que os novos modelos elétricos desenvolvidos localmente começam a mostrar resultados. Considerando também híbridos plug-in e elétricos com extensor de autonomia, a marca entregou cerca de 30% mais veículos eletrificados no país no terceiro trimestre do que um ano antes.
Nos Estados Unidos, a queda é ainda maior: o grupo entregou 14.900 elétricos até setembro, 78,4% abaixo das 68.700 unidades do mesmo intervalo do ano passado. Segundo a empresa, o mercado americano encolheu bastante depois do fim do crédito tributário federal de US$ 7,500 (R$ 37.500) e da adoção de tarifas de importação.
A Volkswagen encerrou neste ano a produção americana do ID.4, que será substituído pelo ID. Tiguan, previsto para chegar às lojas no início de 2027. Na Europa, o futuro ID. Tiguan também ocupará o espaço do ID.5 na próxima geração de elétricos da marca.
Cenário financeiro e ajustes na estrutura
Considerando todos os tipos de motorização, o grupo entregou 6,01 milhões de veículos nos nove primeiros meses do ano, queda de 9% frente ao ano passado. O avanço dos elétricos europeus pode substituir parte das vendas de modelos a combustão, enquanto a retomada na China e nos Estados Unidos parece mais difícil.
O desafio financeiro acompanha essa expansão. No mês passado, o conselho de supervisão aprovou o Future Plan 2030, que prevê redução de até 100 mil postos de trabalho no mundo, fechamento de fábricas e uma linha de veículos menor para cortar custos.
Para o mercado brasileiro, o caso mostra como a oferta de elétricos menores e mais acessíveis pode destravar demanda quando o preço de entrada fica mais baixo. Também mostra que o desempenho dos elétricos varia bastante de região para região. Os números e preços citados se referem à Europa e à Alemanha, e a matéria-fonte não traz informações sobre a chegada desses modelos ao Brasil.
