A Stellantis estuda trazer o motor Hemi V8 de volta ao Dodge Charger, segundo um documento de planejamento consultado pela Automotive News. O plano prevê iniciar a produção do Charger Hellcat com motor 6,2 litros superalimentado no fim de 2027, como parte da linha 2028, com cerca de 12 mil unidades por ano. A empresa, no entanto, não confirmou o projeto.
O que diz o documento de planejamento
De acordo com o material citado pela Automotive News, fornecedores foram informados sobre a previsão de fabricar cerca de 12 mil unidades por ano da versão Hellcat. A possibilidade de um Charger com Hemi V8 superalimentado já circulava havia meses entre observadores da marca.
Questionado pela publicação, um porta-voz da Stellantis classificou os detalhes do lançamento como especulação e afirmou que a empresa não comenta sua estratégia para produtos futuros. Ou seja, por enquanto, trata-se de informação não confirmada oficialmente.
Do V8 ao seis-cilindros, e de volta
O possível retorno do Hellcat vem pouco depois da estreia, neste ano, da nova geração do Charger, desenvolvida inicialmente para seguir sem a antiga opção V8. A versão Sixpack usa o Hurricane, motor de seis cilindros em linha, 3 litros e dois turbocompressores, concebido para substituir o V8 retirado dos planos em 2023.
Embora o Hurricane tenha sido projetado para entregar mais potência que o V8 tradicional, a mudança provocou críticas de quem associa o Hemi à identidade da Dodge.
A flexibilização das regras federais de emissões nos Estados Unidos também abriu caminho para o motor voltar à estratégia da fabricante. O movimento já aparece nas marcas Ram e Dodge, que recuperaram o Hemi V8 depois de a Stellantis afastá-lo para ampliar sua aposta na eletrificação.
Revisão da aposta em elétricos
A revisão veio após o enfraquecimento das perspectivas comerciais para os carros elétricos, o que levou a empresa a cancelar vários programas totalmente elétricos e a registrar uma perda expressiva. No ano passado, essa perda superou US$ 26 bilhões, segundo o relato sobre a mudança de direção da companhia.
Nem todos os elétricos saíram dos planos. O Dodge Charger Daytona elétrico teve sua produção iniciada em 2024 e continua no mercado. Apesar dos 679 cv e da aceleração de 0 a 96,6 km/h em 3,3 segundos, o modelo ainda encontra dificuldades para ganhar volume. De janeiro a setembro deste ano, foram vendidas 767 unidades, queda de quase 90% na comparação anual, de acordo com números divulgados pela Stellantis.
A reavaliação de projetos elétricos não se limita à Stellantis. A Ford cancelou a F-150 totalmente elétrica e busca ampliar a produção da versão a gasolina de sua picape mais vendida. A General Motors suspendeu a atualização de suas picapes elétricas e adaptou uma fábrica perto de Detroit para produzir mais picapes e SUVs a gasolina. Também há rumores de que a GM poderia trazer de volta o Chevrolet Camaro a gasolina na fábrica Lansing Grand River Assembly, o que a empresa não confirmou.
O que muda para o mercado brasileiro
Para o público brasileiro, o caso serve como termômetro do rumo da indústria: fabricantes que haviam acelerado a eletrificação agora redirecionam recursos para produtos centrais e motores a combustão. Como o Charger Hellcat segue sem confirmação oficial e o material não traz informações sobre vendas fora dos Estados Unidos, não há indicação sobre eventual chegada ao Brasil. O tema merece acompanhamento enquanto a Stellantis não se pronuncia.
