A Volkswagen será a próxima montadora a recorrer a um parceiro chinês para disputar espaço na América Latina. Desenvolvido em conjunto com a SAIC, o Lamando L foi anunciado nesta semana e chegará ainda em 2026 ao México, o que deixa em dúvida o futuro do Jetta, sedã médio derivado do Golf.
Como é o Lamando L
Embora chegue ao território do Jetta, o Lamando L segue uma receita que lembra mais a do antigo Volkswagen CC: teto baixo, caída traseira alongada e portas sem moldura nos vidros. A tampa do porta-malas abre junto com o vidro, como num hatch, o que deixa uma passagem maior para as bagagens.
Em porte, são aproximadamente 4,79 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,47 m de altura e 2,73 m de entre-eixos. O sedã é um pouco maior que o Jetta, mas ainda fica abaixo do espaço que o Passat ocupava na linha. Por baixo da carroceria, usa a plataforma MQB Evo, presente também em modelos como Golf e Tiguan.
Por dentro, a diferença para o sedã mexicano aparece principalmente no painel, que combina instrumentos digitais de 10,25" com uma central multimídia de 12,9". Na configuração chinesa, o carro pode receber até dez airbags e assistentes de condução de nível 2. A Volkswagen, porém, ainda não detalhou quais equipamentos estarão no modelo vendido no México.
Motores e o futuro do Jetta
- Na China, o conhecido 1.4 TSI deu lugar ao 1.5 TSI nas versões convencionais.
- Acima delas está o GTS, com o 2.0 TSI da família EA888, de 220 cv e 35,7 kgfm, associado ao câmbio DSG de dupla embreagem e sete marchas.
- Segundo a fabricante, essa configuração chega aos 100 km/h em 6,98 segundos.
O México é hoje o único país que produz o Jetta, e por isso a chegada do Lamando L levanta a pergunta sobre o destino do veterano. A Volkswagen procurou tranquilizar os compradores: em entrevista ao portal mexicano El Economista, Claudia Martínez, gerente de Produto, Preço e Planejamento da marca no país, afirmou que os clientes do sedã podem ficar tranquilos, indicando uma convivência entre os dois modelos.
A executiva confirmou a apresentação do novo carro até o fim do ano, mas não revelou preços, motores ou se o nome Lamando será mantido.
A parceria chinesa vai além do México
Apesar de anunciado apenas para o México, o sedã pode chegar a outros mercados em breve. A marca admitiu ao Motor1.com Brasil que pretende importar elétricos da China no curto a médio prazo e aproveitar a tecnologia de seus parceiros nos futuros híbridos locais.
A parceria já rende frutos na América do Sul. A nova geração da Amarok, prevista para 2027, será uma versão local da SAIC Maxus Interstellar X e continuará sendo fabricada na Argentina. A Volkswagen confirma apenas que a picape será híbrida, sem detalhar o conjunto mecânico.
Nos comerciais, a divisão Caminhões e Ônibus da marca confirmou uma van de porte próximo ao de Renault Master e Fiat Ducato, como sucessora espiritual da Kombi. Ela parte da base do Maxus Deliver 9 e chegará inicialmente importada da China, com produção regional estruturada depois em solo latino-americano. A VWCO ainda não confirmou as configurações para o Brasil.
Para o mercado brasileiro, o Lamando L é menos um lançamento imediato e mais um sinal de estratégia. A Volkswagen aposta em parceiros chineses para competir com marcas do país asiático, e a linha pode ser complementada com SUVs e outros elétricos vendidos na China, como a Chevrolet faz por aqui com Spark EUV e Captiva EV. Se o sedã virá ao Brasil, ainda não há confirmação.
