sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Changan Hunter K70: picape com a base de Fiat Titano e RAM Dakota troca o diesel por tração elétrica integral de 354 cv

A Changan Hunter K70 é uma picape que compartilha a origem de Fiat Titano e Ram Dakota, mas abandona o diesel em favor de uma configuração híbrida com tração integral elétrica. Na versão híbrida, o conjunto entrega 354 cv, sem abrir mão do motor a gasolina. A estreia no mercado chinês acontece em 23 de outubro.

Como funciona a mecânica híbrida

O motor 2.0 turbo a gasolina desenvolve 190 cv, mas não move diretamente as rodas. Sua função é gerar energia para a bateria, que alimenta dois motores elétricos, um em cada eixo. Esse arranjo forma um sistema de tração integral diferente do conjunto usado nas picapes vendidas no Brasil.

O motor dianteiro entrega cerca de 150 cv, e o traseiro fornece aproximadamente 204 cv. Juntos, chegam a 354 cv e 56,1 kgfm de torque. Segundo o material, a disposição permite as respostas rápidas típicas da propulsão elétrica, inclusive nas saídas e retomadas, sem depender apenas de recargas externas.

Quando a carga da bateria cai, o motor a gasolina passa a atuar como gerador para ampliar a autonomia, sem alterar o papel dos motores elétricos na tração. O funcionamento lembra o sistema REEV da Leapmotor, conhecido fora do Brasil como extensor de autonomia, mas classificado pela legislação brasileira como híbrido plug-in. A semelhança, porém, não significa que a Hunter K70 e os modelos da Leapmotor compartilhem componentes de propulsão.

Parentesco com Titano e Dakota

A ligação com o Brasil passa pela base da Fiat Titano e da Ram Dakota, ambas produzidas na Argentina a partir de um projeto nascido na China. Essa estrutura também serviu à Peugeot Landtrek antes de chegar às picapes de Fiat e Ram. A Hunter K70 não deve ser confundida com a JAC Hunter vendida no Brasil.

A comparação com as parentes brasileiras é expressiva. Titano e Dakota usam motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e 45,9 kgfm, associado a câmbio automático de oito marchas, e também oferecem tração 4×4. A Hunter K70 tem 154 cv a mais e supera ambas em torque, além de contar com resposta elétrica mais imediata. Ainda assim, essa vantagem de potência, por si só, não indica que o conjunto híbrido possa substituir automaticamente a solução a diesel adotada por Fiat e Ram no Brasil.

Visual e preparo para o fora de estrada

A picape chega com um kit voltado ao uso fora de estrada. Ela tem pneus de uso misto, rodas de 17 polegadas e 24,5 cm de distância livre do solo, segundo a Changan. Por fora, para-choques mais volumosos, caixas de roda alargadas e proteções escuras dão à K70 uma aparência distinta das demais versões dessa família.

A dianteira conserva a grade integrada aos faróis em formato de T, enquanto adesivos no capô e nas laterais ajudam a identificar a nova configuração. Na traseira, a tampa da caçamba abre em partes, e o exemplar apresentado tem engate para reboque, sem capacidades de carga e tração divulgadas. As lanternas evidenciam o parentesco visual com Titano e Dakota. No interior, a picape traz painel digital e tela central.

O que muda para o mercado brasileiro

Até agora, a Stellantis não confirmou planos de levar esse sistema à Fiat Titano, à Ram Dakota ou à Peugeot Landtrek, em um segmento que segue dominado pelo diesel no Brasil. Como Fiat e Ram pertencem à Stellantis, existe a possibilidade de recorrer a tecnologias híbridas da Leapmotor, mas isso não representa uma decisão anunciada para as picapes. Por ora, a Hunter K70 serve como indicação de um caminho que a mesma base pode seguir, ainda sem equivalente confirmado por aqui.

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