O novo Citroën 2CV, releitura moderna e elétrica do famoso Deux Chevaux, é uma das grandes estrelas do Salão do Automóvel de Paris. Ao lado dele, no mesmo estande, a marca francesa mostrou o Fourgonnette Concept: a recriação da antiga versão furgoneta, com baú fechado. A novidade é um exercício de estilo simpático, mas, por ora, sem data de chegada às ruas.
Um projeto nascido da paixão dos designers
Por 27 anos, o velho 2CV teve a companhia de um utilitário com baú fechado, e por isso é natural que a Citroën apresente também uma Fourgonnette do novo 2CV Concept. Segundo a fabricante, a derivação nasceu do entusiasmo dos designers, que desenvolveram a ideia como um projeto pessoal, "movidos pela paixão".
A proposta é um veículo elétrico, acessível, prático e engenhoso, com estilo imediatamente reconhecível e simpático. Em comunicado, Xavier Chardon, CEO da Citroën e da DS Automobiles, resumiu o espírito do projeto: "A 2CV Fourgonnette não era apenas uma ferramenta de trabalho. Ela fazia parte da vida das pessoas. Simples, engenhosa e acessível, tinha, acima de tudo, algo que poucos utilitários possuem: uma alma. É essa ideia que estamos resgatando hoje. Porque ser útil não deveria significar ser banal."
Design: do 2CV Concept ao baú retrô
Até as colunas B, o protótipo é uma reprodução do 2CV Concept. Isso inclui:
- faróis destacados dos para-lamas;
- capô abaulado com vincos longitudinais;
- portas dianteiras e maçanetas giratórias.
O baú tem teto elevado e laterais de chapa corrugada, exatamente como no modelo original. O lado esquerdo pode ser aberto, transformando o veículo em um mini food truck. As portas do compartimento de carga são do tipo armário e foram pintadas de preto, acompanhando o tratamento do 2CV Concept de passeio. A antiga tampa do tanque, em destaque, dá lugar à entrada de recarga.
A pintura também é diferente e remete ao início da história do Deux Chevaux. Nos 11 anos iniciais de produção, o 2CV só foi oferecido em tons de cinza, tanto na versão de passageiros quanto na furgoneta. No lançamento, o tom era o cinza-metálico (Gris Métallisé, 1948-1952), substituído pelo cinza-escuro (Gris Foncé, 1952-1954) e depois por um mais claro (Gris Clair, 1954-1959). Em setembro de 1959 surgiu o Bleu Glacier, um azul acinzentado, e somente em outubro de 1960 a paleta ganhou cores mais vivas, com o verde Vert Embrun e o amarelo Jaune Panama.
A história das furgonetas derivadas do 2CV
A trajetória começou em 1951, três anos depois do lançamento do carro de passeio, com a AU. Ela tinha motor boxer de dois cilindros, refrigerado a ar, com 375 cm³ e apenas 9 cv, e carregava 250 kg, atendendo padeiros, agricultores e pequenos serviços de entrega.
- 1954: chegou a AZU, com motor de 425 cm³ e potência inicial de 12 cv, que aumentaria nos anos seguintes.
- 1963: a AK 350 trouxe carroceria alongada, motor de 602 cm³ e capacidade de 350 kg.
- 1970: a AKS 400, também chamada AK 400, ganhou compartimento de carga mais alto e transportava 400 kg.
- 1972: a versão menor recebeu motor de 435 cm³ e a designação AZU-B, também vendida como Citroën 250.
Além da França, as Fourgonnettes foram fabricadas ou montadas na Argentina, Chile, Uruguai, Bélgica, Portugal e Espanha, algumas com adaptações locais, como as picapes chilenas e uruguaias. A produção terminou em 1978, depois de 27 anos. A sucessora direta foi a Acadiane, derivada do Dyane, que ficou em linha até 1987. A tradição dos pequenos furgões seguiu com o Visa C15, lançado em 1984, e o primeiro Berlingo, apresentado em 1996.
O que esperar daqui para frente
A Citroën não deu detalhes sobre a motorização elétrica nem sobre a plataforma, e também não há imagens do interior. O 2CV de passeio será produzido em série a partir de 2028, mas a Fourgonnette não deve entrar em linha "no curto prazo", segundo o comunicado da marca. Enquanto isso, a customizadora italiana Caselani vende kits que transformam o atual Berlingo europeu, além do Ami e do Jumper, em modelos retrô inspirados na 2CV Fourgonnette e no Type H.
Para o mercado brasileiro, o Fourgonnette Concept funciona mais como sinal do caminho da Citroën, que aposta na nostalgia aliada à eletrificação, do que como produto à vista. Para autônomos e empresas de entregas, por ora, a novidade é só para admirar.
